Artigo por Ariane Marques, química e consultora de
estratégia do Time de Indústria Automotiva da BASF para a América do Sul, fala
sobre plásticos nos automóveis
A indústria automotiva vem
se reinventando para se tornar cada vez mais sustentável. A começar pela
substituição de peças de metal por materiais mais leves que possam ser
reciclados ou reutilizados no fim do ciclo de uso, como, por exemplo, os
plásticos, que chegam a pesar até 50% menos em comparação com os itens
tradicionais. Há 30 anos, apenas 5% do peso total dos veículos era deste
material. Atualmente, esse volume se dá por volta dos 20% e a projeção é a de
que chegue a 25% num futuro próximo.
Além do peso efetivamente
menor, que promove eficiência energética com a redução no consumo de
combustível e consequente diminuição das emissões de poluentes, os plásticos
também oferecem versatilidade no design dos projetos e custos
mais baixos. A tendência da eletromobilidade deve ampliar a necessidade do uso
desses materiais.
Os plásticos podem compor
diferentes partes de um carro, internas e externas, e o tipo mais demandado
pelo setor são os plásticos de engenharia. Atualmente, as possibilidades de
aplicação de plásticos de engenharia em veículos incluem coletores de
admissão, sistemas de arrefecimento, bombas de combustível, pedais, painéis e
bandejas de óleo, entre outras peças. Segundo o engenheiro Murilo Feltran, de
Materiais de Performance da BASF, estes materiais atendem aos mais elevados
requisitos termomecânicos e de resistência química definidos pelas montadoras,
além de possuírem extrema facilidade de moldagem e liberdade de design.
Estes são os pontos cruciais para a substituição dos metais utilizados nas aplicações
próximas ao motor, pois permitem a produção de autopeças de formatos complexos
em uma única etapa de moldagem.
Como uma das principais
fornecedoras de plásticos de engenharia, a BASF apresenta uma gama completa de
soluções para garantir a qualidade das peças usadas pelas montadoras. A linha
Ultramid, por exemplo, foi desenvolvida para diferentes finalidades, desde o
acabamento interno do veículo, até para a produção de peças que demandam
elevada rigidez e resistência à altas temperaturas. Com o material foi
fabricado o primeiro suporte frontal sem reforço metálico e até as primeiras
rodas totalmente em plástico, tão estáveis quanto as de metal. Nas rodas,
pode reduzir o peso em até 30% - uma economia de 3 kg por roda. Este novo
plástico possui fibras de reforço longas que melhoram sua propriedade mecânica,
resultando em uma combinação de estabilidade, durabilidade e leveza.
Para atender uma das
megatendências automotivas de redução dos níveis de ruídos, vibração e dureza
(sigla em inglês NVH) nos veículos, foi desenvolvido o Cellasto, elastômero de
poliuretano microcelular que podem ser aplicados em batentes de suspensão, isoladores
de mola, top mounts, entre outros, como eficiente solução de absorção de
energia. Os sistemas de poliuretanos e espumas funcionais também fazem parte
dos veículos para garantir a leveza, o conforto térmico e acústico. Eles estão
presentes nos volantes, nos forros de teto, bancos, painéis, encosto de cabeça,
entre outros componentes, inclusive com novas tecnologias que garantem menor
emissão de compostos orgânicos voláteis (VOCs).
Além da diminuição do
peso, o aumento do uso de plástico nos veículos se deve também aos avanços no
desenvolvimento de polímeros e melhorias em estabilizadores plásticos e
corantes. José Capozzi, da divisão de Aditivos para Plásticos da BASF, explica
que estas soluções desempenham um papel importante para a conservação e resistência
das peças. São estabilizantes de luz e absorvedores de raios UV que prolongam a
vida útil, mantém a aparência e as propriedades das aplicações plásticas. Para
a parte interna, por exemplo, além dos estabilizadores térmicos, Irganox e
Irgafos, a BASF desenvolveu também a linha Irgastat, que impede o acúmulo de
poeira em peças como o painel do carro.
A contribuição do plástico
vai além, favorecendo também a reciclagem e economia circular. Um reforço
recente nesse sentido é a iniciativa da BASF, ChemCycling, que utiliza óleo de
pirólise derivado de resíduos plásticos como matéria-prima em sua própria
produção, como um substituto para os recursos fósseis. Desta forma, o lixo
plástico é transformado em novos materiais, de alta qualidade. Em um projeto piloto,
a Jaguar Land Rover já está testando o material em uma peça frontal do seu
primeiro modelo 100% elétrico, com o objetivo de avaliar a utilização do
material reciclado em larga escala nos veículos no futuro.
O desenvolvimento de
plásticos para o uso em veículos beneficia a indústria de diversas maneiras,
desde o custo de aquisição das peças, até a entrega de automóveis sofisticados,
com ampla liberdade de design e mais leves para promover
economia de combustível, redução de emissões, fazendo com que o setor forneça
qualidade e conforto de modo sustentável.
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