O uso do plástico na
agricultura, a chamada plasticultura, atende à crescente demanda para produzir
mais, usando menos recursos. Atualmente, esse método tem o objetivo de aumentar
a produtividade dos cultivos, reduzir drasticamente o consumo de água e gerar
um uso mais racional dos insumos agrícolas. Além disso, a plasticultura pode
contribuir para a sustentabilidade do processo, uma vez que os plásticos usados
na agricultura, especialmente filmes de efeito estufa, podem ser reciclados.
Segundo dados do CIDAPA,
Congresso Iberoamericano de Plasticultura, o Brasil é o terceiro país com a
maior área de cultivos protegidos no mundo entre os que divulgam os dados nesse
segmento (incluindo estufas, túneis e mini túneis), com 30 mil hectares, atrás
apenas da Espanha, com 69.705 hectares, e México com 40.862. Na região, a
Colômbia ocupa a quarta colocação e a Argentina o quinto lugar.
As estufas oferecem um
ambiente ideal para as plantas, protegem as hortaliças dos efeitos da geada, do
vento e da chuva, garantindo alta qualidade, além de contribuir para a rapidez
do amadurecimento de plantas e frutas, uma vez que permite várias colheitas no
ano. Outro exemplo de plasticultura é a armazenagem de grãos. No Brasil,
estima-se que cerca de 10% a 15% da produção de grãos nacional são coletadas
anualmente usando esse sistema de baixo custo, fácil implementação e alta
eficiência, que se consolidou como uma alternativa para armazenamento da produção
crescente brasileira.
A plasticultura pode
contribuir para o desenvolvimento da cultura protegida e para o uso mais
extensivo de filmes de longa duração. Além disso, aumenta o potencial de
crescimento do armazenamento de grãos em silo bolsas. Atualmente, o agronegócio
tende a adotar filmes plásticos de maior durabilidade, reduzindo o consumo
total do material. O desafio é oferecer tecnologias que ajudem os produtores a
obter colheitas maiores com menor consumo de recursos.
Com a ajuda de uma ampla gama
de aditivos plásticos para a indústria, é possível melhorar a qualidade técnica
dos materiais com antioxidantes, estabilizadores de luz e calor absorvedores de
UV, dentre outras possibilidades. No caso da BASF, a empresa é a criadora da
tecnologia NOR-HALS, que também apresenta alta performance na presença de
defensivos químicos, permitindo que os polímeros usados em todos os tipos de
cultivos durem mais tempo. Como consequência do desenvolvimento urbano e,
devido ao crescimento da erosão e mudança climática, a superfície do terreno de
cultivo tem sido reduzida. Atualmente, o principal desafio desse mercado
consiste em intensificar a atividade agrícola e, com a ajuda do cultivo
protegido, aumentar a produção por hectare.
Daniella Torres é Especialista Técnica para América Latina da BASF