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Conheça três grandes histórias dos pioneiros na ferramentaria

ABINFER e SIMPLÁS entregaram a medalha Herói Ferramenteiro no encerramento do 11º Encontro Nacional de Ferramentarias

Alcides Jerônimo Bonezi, Renato Henrique Leonardelli e Salustiano Lino Machado são profissionais que dedicaram suas vidas à produção de ferramentais em Caxias do Sul, RS, um dos três maiores polos da atividade no Brasil, juntamente com Joinville, SC, e São Paulo e Região do ABC Paulista. Durante o 11º Encontro Nacional de Ferramentarias (ENAFER), realizado em Caxias do Sul, em maio deste ano, eles foram homenageados por suas histórias pela Associação Brasileira da Indústria de Ferramentais (ABINFER) e pelo Sindicato das Indústrias de Material Plástico do Nordeste Gaúcho (SIMPLÁS), entidades organizadoras do evento.

Os três iniciaram, em épocas distintas, suas atividades na Metalúrgica Abramo Eberle, um dos ícones da indústria metalmecânica de Caxias do Sul e inspiradora de muito dos grandes negócios atualmente localizados na cidade e na região da Serra Gaúcha. Também tiveram especialização em cursos técnicos oferecidos pelo SENAI. Machado e Bonezi estão aposentados, enquanto Leonardelli segue no comando da Cirna, empresa que fundou há 46 anos. Juntos, somam mais de 160 anos dedicados ao segmento metalmecânico, a maioria deles com foco em projetos e produção de ferramentais.

Salustiano Lino Machado

Natural de Maquiné, cidade litorânea do Rio Grande do Sul, Salustiano Lino Machado tem 81 anos. Neto de imigrantes portugueses e italianos, nasceu e cresceu no interior, onde a família desenvolvia atividades agrícolas, como a moagem de milho e trigo e o beneficiamento de arroz. Dos 12 aos 14 anos trabalhou como tropeiro.

Aos 16 anos, depois de concluir o sexto ano, deixou a cidade de origem e foi em busca de oportunidades em Porto Alegre, capital gaúcha. Trabalhou como atendente em posto de gasolina e entregador de gelo em hotéis e residências mais ricas – à época não existiam geladeiras. Em 1955, ele e um cunhado chegaram em Caxias do Sul.

Depois de breve experiência como lenheiro, foi admitido no setor de produção da Metalúrgica Abramo Eberle, à época a mais importante do segmento em Caxias do Sul. Em 1958, foi transferido para a matrizaria, onde permaneceu até 1972. Nestes 14 anos especializou-se nos cursos de matrizes e desenho técnico ministrados pelo SENAI. Também participou de cursos oferecidos pela empresa e realizou estudos por correspondência em eletro, eletrônica, rádio e TV.

Em 1972, assumiu cargo de responsabilidade nas Matrizes Polesso, ajudando-a a tornar-se empresa de referência nacional. Ali participou de vários projetos, como o lançamento do primeiro ar-condicionado nacional, produzido pela Brastemp. Machado recebeu da empresa, onde permaneceu até 1981, a responsabilidade de entregar e testar os moldes para os clientes por todo Brasil. Teve uma segunda passagem pela Polesso no período de 1992 a 1997, atuando no setor de manutenção.

De 1981 a 1997 passou por Acrilys, Jarba e Lenalto. Também empreendeu, sendo sócio da empresa Proequip e abrindo uma loja de discos em Caxias do Sul. Aposentou-se no início dos anos 2000, mas não deixou a ativa. Trabalhou na Ciberplast até 2012 nos setores de moldes e injeção de plásticos. Deixou a atividade por motivos de saúde.

Destaca que a profissão de matrizeiro lhe ofereceu oportunidades de crescimento, conhecimentos e contatos profissionais. Permitiu que fizesse grandes amizades que lhe proporcionaram aprendizados importantes para a vida profissional e pessoal. “Este é o momento de olhar para trás e ver que, com a parceria de colaboradores e amigos, foi possível alcançar o sucesso e que tudo valeu a pena”, afirmou ao tomar conhecimento da premiação.

Machado casou-se duas vezes. Do casamento de 1959, encerrado por divórcio em 1986, nasceram quatro filhos, que lhe deram quatro netos e duas bisnetas. Em 1997, casou-se com Iolanda da Fonseca Branco, com quem teve mais duas filhas. Estas lhe deram mais três netas e uma bisneta.

Alcides Jerônimo Bonezi

Nascido em 12 de fevereiro de 1940, Alcides Jerônimo Bonezi iniciou sua carreira na Metalúrgica Abramo Eberle com apenas 14 anos no setor de produção. Foram seis anos atuando no setor de manutenção até transferir-se para a área de mecânica, onde operou torno e fresa. Ainda passou pela matrizaria, onde ficou até 2001, quando se aposentou. Foram 47 anos dedicados à mesma companhia.

Casado com Dalva de Aguiar Bonezi, pai de Simone e avô de Luiza e Gabriel, o homenageado completou o primeiro grau e realizou cursos no SENAI. Cita, como um dos grandes desafios da maior parte da sua vida profissional, a ausência de tecnologias, como a de eletroerosão a fio e eletroerosão para produção de moldes de mais de um metro. “Tudo era feito manualmente”, recorda.

Renato Henrique Leonardelli

Nascido em Caxias do Sul em 1945, Renato Henrique Leonardelli começou a trabalhar com 17 anos, na Metalúrgica Abramo Eberle, como torneiro mecânico, profissão que desejava quando ainda era estudante do primário na Escola Apolinário Alves dos Santos, em 1958, e no ano seguinte, em curso técnico do SENAI. Após servir o Exército Brasileiro, nos anos de 1964 e 1965, trabalhou como torneiro ferramenteiro nas empresas Dambroz, Nicola Carrocerias e Marcopolo. Tornou-se, em 1969, o primeiro funcionário com carteira assinada na Polesso Matrizaria, onde manteve contato profundo com o plástico, produzindo tampas para bebidas, conta-gotas e cápsulas para garrafões de vinho.

Com a experiência adquirida ao longo dos anos, resolveu empreender, fundando em 1972, em sociedade com Moacir Mezzomo, a Cirna Metal Matrizes. Os primeiros produtos foram moldes para linha automotiva, sinaleiras e peças de tomada de luz. Com poucos equipamentos, a produção era quase toda feita manualmente. A primeira injetora foi adquirida em 1979, mesmo ano em que Leonardelli comprou a parte que cabia ao sócio.

Lembra que, sem as tecnologias atuais, os moldes eram feitos a partir de um piloto, que tinha a função de medir as contrações. “Fazia e refazia até acertar as medidas. Só depois partia para o molde com mais cavidades”, afirma.

O primeiro molde de nylon atendeu pedido da Agrale. Tratava-se de um tampão de rosca do tanque de combustível de 70 mm. “Para aquecer o molde usamos uma resistência”, recorda. Injetada em parceiro terceirizado, a peça ficou perfeita. Só que não! “A cabeça da peça tinha borda de oito milímetros maior que a rosca. No momento de enroscar, a peça caiu no interior do tanque e encolheu de cinco a seis milímetros. Foi o maior fiasco”, relata. Também recorda que todos os moldes com raio e curvas arredondadas eram feitos com chapelona e ajustados até fecharem. “Começava pelo macho, temperava e ajustava na fêmea. Colocava no balancin, prensava e ia torneando até ajustar”, detalha a forma como a operação era feita 40 anos atrás.

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