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Plástico feito com nanofibras de celulose é realização brasileira

Maior facilidade de degradação e menor custo são alguns dos benefícios das nanofibras 

Desenvolver um método que produza poliestireno, um tipo de plástico, e polimetracilato de metila, o acrílico, utilizando fibras e nanofibras de celulose, foi o intuito de pesquisadores da Escola de Engenharia da USP, em São Carlos (SP). As matérias-primas utilizadas nesse feito foram o eucalipto, bagaço de cana e outros vegetais.

Com amplo potencial de utilização, o plástico de nanofibras poderá ser utilizado desde a construção civil à indústria automobilística, até em componentes eletrônicos. Esse material pode ser utilizado na produção de peças que possuirão elevada resistência mecânica e com baixo custo, já que as matérias-primas utilizadas no processo de fabricação do plástico derivam-se de fontes naturais renováveis, principalmente a celulose.

Os pesquisadores Caíque Casale, Eliane Trovatti, Emanoele Chiromito e Antônio José Félix de Carvalho, patentearam a criação, portanto ela já está disponível para ser utilizada pela indústria. 

O uso das nanofibras de celulose será uma revolução no mercado industrial

O poliestireno, resina do grupo dos termoplásticos, é um item importantíssimo comercialmente no mercado dos plásticos, porém ele é derivado do petróleo e, por esse motivo a equipe de pesquisadores resolveu desenvolver testes para a fabricação de um material menos agressivo, adicionando fibras e nanofibras de celulose, que possuem propriedades tão rígidas quanto o próprio aço.

Eles procuraram desenvolver um processo de coprecipitação, para que a celulose não forme aglomerados, como é próprio dela, mas que se disperse de forma homogênea nos termoplásticos de poliestireno e acrílico, ou seja, esse processo se baseia na separação das substâncias sólidas do líquido, que é a solução para o problema.

O resultado foi satisfatório, pois conseguiram desenvolver um compósito com propriedades mecânicas muito melhoradas quando comparadas aos materiais originais. A comparação para a certificação de que o processo estava se desenvolvendo da maneira necessária foi com outros compósitos produzidos a partir das fibras sintéticas.

Compósitos são materiais presentes em qualquer lugar, como no corpo humano e na natureza. A produção deles se dá devido a junção de dois ou mais materiais distintos, que quando se combinam resultam em um produto que possui propriedades melhores do que os materiais de partida. A criação de novos compósitos é feita para atender à demanda de fabricação utilizando outros materiais que substituam os convencionais, como o aço, ferro e alumínio, por exemplo. A produção em laboratório dispõe de características únicas que tornam o material leve, resistente mecanicamente, tolerante as mudanças de temperatura, ao contato de compostos químicos e a água, e possui aplicações ilimitadas.

Curiosidade sobre o plástico biodegradável

Os bioplásticos ou plásticos biodegradáveis são compostos por resinas que derivam de matérias-primas de fontes naturais renováveis. Apesar de todos os materiais plásticos serem degradáveis, os mecanismos dessa degradação variam. A maior parte deles se fragmenta pelas cadeias de polímeros ao serem expostas à luz ultravioleta (UV), calor elevado ou oxigênio.

Os plásticos biodegradáveis decompõem-se de maneira diferente: seus componentes mais simples se deterioram a partir da atividade de microrganismos ao encontrar em contato com o solo, com a umidade, com o calor e com a luz solar. É um processo contrário ao ocorrido das resinas petroquímicas, que demoram longos períodos para sofrer qualquer alteração. O uso de derivados animais e vegetais na fabricação dos plásticos são a melhor solução para que os produtos não permaneçam durante séculos intactos na natureza.

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