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Como calcular o custo real por peça injetada: o que a maioria das fábricas deixa fora da conta e como isso corrói a margem

Matéria-prima e mão de obra não são o custo total por peça injetada. Refugo, tempo de ciclo, energia e ferramental precisam entrar na conta.

Como calcular o custo real por peça injetada: o que a maioria das fábricas deixa fora da conta e como isso corrói a margem

O cálculo que parece simples mas não é

Na maioria das indústrias de transformação plástica, o custo por peça é calculado somando o custo de matéria-prima e o custo de mão de obra direta, divididos pelo volume produzido. Esse cálculo é simples, rápido e frequentemente errado.

Não porque a aritmética esteja errada, mas porque os componentes incluídos são incompletos. Quando o custo de energia elétrica, o custo de ferramental amortizado, o custo do refugo de processo e o custo de não qualidade ficam de fora da conta, o custo por peça calculado pode ser de 20 a 40% menor do que o custo real.

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Essa diferença entre custo calculado e custo real é o que corrói a margem silenciosamente. A indústria que precifica com base no custo incompleto pode estar vendendo produto abaixo do custo real sem perceber.

Os componentes que ficam fora da conta

Custo de energia elétrica por ciclo

A injeção plástica é um processo energeticamente intensivo. O consumo de energia elétrica de uma injetora varia conforme a tonelagem, a velocidade de injeção e o tempo de ciclo. Esse custo existe em cada ciclo, mas raramente é calculado por peça produzida.

Para incluir o custo de energia no custeio, o caminho mais simples é medir o consumo total da máquina por turno com um medidor de energia, dividir pelo número de peças produzidas no mesmo turno e incluir esse valor no custo unitário. Dependendo do produto e do processo, o custo de energia pode representar de 5 a 15% do custo total por peça.

Custo de ferramental amortizado

O molde de injeção tem uma vida útil finita em ciclos. Cada ciclo produzido consome uma fração da vida útil do molde. Esse consumo precisa passar por amortização no custo por peça, distribuindo o custo total do ferramental ao longo da vida útil estimada.

A fórmula é direta: preço do molde dividido pela vida útil em ciclos vezes o número de cavidades. O resultado é o custo de ferramental por peça. Para um molde de R$ 200 mil com vida útil de 1 milhão de ciclos e 4 cavidades, o custo de ferramental por peça é de R$ 0,05. Parece pequeno, mas em margens apertadas, esse componente pode ser a diferença entre lucro e prejuízo.

Custo do refugo de processo

O refugo é um custo duplo. Primeiro, porque o material e a energia gastos na produção da peça rejeitada não geram receita. Segundo, porque o retrabalho ou o descarte da peça tem custo adicional de mão de obra ou de destinação.

Para incluir o custo de refugo no custeio, o cálculo é: custo de produção por peça boa multiplicado pelo índice de refugo, dividido por 1 menos o índice de refugo. Em uma linha com 3% de refugo e custo de R$ 2,00 por peça boa, o custo real por peça incluindo refugo é de aproximadamente R$ 2,06. Esse ajuste parece pequeno, mas em volumes altos e margens apertadas, é significativo.

Custo de não qualidade

Custo de não qualidade inclui inspeção adicional, retrabalho, devolução de cliente, frete de retorno e perda de cliente por problema de qualidade recorrente. Esses custos são reais, mas raramente aparecem no custeio por peça porque são lançados como despesas gerais ou absorvidos silenciosamente pela margem.

O modelo completo de custo por peça injetada

Um modelo de custeio completo para injeção plástica inclui os seguintes componentes, somados e divididos pelo volume de peças boas produzidas.

  • • Matéria-prima: peso da peça mais perdas de processo (galhos, regrind não recuperável) multiplicados pelo preço da resina por quilograma.
  • • Mão de obra direta: custo horário da equipe que opera a máquina dividido pela produção horária de peças boas.
  • • Energia elétrica: consumo da máquina por turno dividido pelo número de peças boas no turno.
  • • Custo de ferramental amortizado: preço do molde dividido pela vida útil em ciclos vezes cavidades.https://plasticovirtual.com.br/como-calcular-o-roi-real-de-um-molde-novo-o-que-entra-na-conta-alem-do-preco-do-ferramental/
  • • Custo de refugo: ajuste pelo índice de refugo conforme a fórmula descrita acima.
  • • Overhead de manutenção: custo mensal de manutenção da máquina dividido pelo volume mensal de peças boas.
  • A soma desses seis componentes fornece o custo real por peça injetada. Compará-lo com o preço de venda por peça revela a margem real, que frequentemente surpreende gestores que calculavam apenas matéria-prima e mão de obra.

Mais detalhes sobre o cálculo das peças injetadas

O que deve ser incluído no cálculo do custo por peça injetada?

O custo real por peça injetada inclui matéria-prima com perdas de processo, mão de obra direta, energia elétrica por ciclo, custo de ferramental amortizado pela vida útil, custo do refugo de processo e overhead de manutenção da máquina. Assim, calcular apenas matéria-prima e mão de obra pode subestimar o custo real em 20 a 40%.

Como calcular o custo de ferramental amortizado por peça?

O cálculo é o preço do molde dividido pela vida útil estimada em ciclos multiplicada pelo número de cavidades. Por exemplo, um molde de R$ 200 mil com vida útil de 1 milhão de ciclos e 4 cavidades gera um custo de ferramental de R$ 0,05 por peça. Esse componente deve ser incluído no custeio e precisa ser atualizado quando o molde passa por manutenção corretiva significativa.

Como o índice de refugo afeta o custo real por peça?

O refugo é um custo duplo porque consome matéria-prima e energia sem gerar receita. O ajuste de custo pelo refugo é calculado multiplicando o custo de produção por peça boa pelo índice de refugo dividido por 1 menos o índice. Com 3% de refugo e custo de R$ 2,00 por peça boa, o custo real ajustado pelo refugo é de aproximadamente R$ 2,06 por peça. Em volumes altos e margens apertadas, esse ajuste é significativo.

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