Negociações sobre tratado do plástico terminam sem acordo
A reunião internacional sobre o tratado do plástico, em Genebra terminam sem acordo, com impasse entre países com ideias ambiciosas e produtores de petróleo
Negociações sobre tratado do plástico terminam sem acordo
O encontro em Genebra, na Suíça, para discutir um tratado global sobre plásticos termina sem acordo. As negociações começaram no dia 4 de agosto e finalizaram na última sexta-feira, dia 15. O impasse central está na divisão de dois blocos de países, enquanto um deseja medidas ousadas, outro quer concentrar-se na gestão de resíduos.
As negociações duraram a noite inteira na tentativa de encontrar um meio termo entre os dois grupos de países, e contou com negociadores de 185 países. Apesar de terem se estendido além do prazo final, que a princípio era dia 14 de agosto, as conversas na sede das Nações Unidas acabaram sem consenso.
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Encerrada a sessão de negociações a portas fechadas, os países se encontraram no salão principal da Assembleia do Palais des Nations da ONU. O encontro visava avaliar o impasse e discutir os próximos passos.
Nesse sentido, o representante da Noruega, copresidente de um grupo de países que defendia um tratado ambicioso. Tendo como argumento principal “proteger o meio ambiente e a saúde humana”. O representante disse: “Não teremos um tratado sobre a poluição por plásticos aqui em Genebra".
O embaixador equatoriano Luis Vayas Valdivieso, que preside as negociações (CNI5-2), divulgou duas versões de rascunho no intervalo de um dia; a mais recente veio à tona na madrugada de 14 para 15 de agosto, quando o ambiente já era de desacordo e incerteza.
Mesmo com alguma evolução no texto, os líderes das delegações, reunidos em sessão extraordinária matinal, não conseguiram alcançar um acordo.
Embora ainda reunisse mais de 100 itens sujeitos a revisão e acordo, o texto foi classificado por duas fontes como uma “base aceitável para a negociação”. Em declaração à AFP após a divulgação do rascunho mais recente no portal da ONU.
Diante de tudo isso, os representantes da Arábia Saudita, Índia e Uruguai, apontaram que os debates não chegaram a um consenso. “Perdemos uma oportunidade histórica”, lamentou o delegado de Cuba.
Próximos passos e detalhes sobre os “limites” de negociação de cada país
Houve manifestações de decepção entre vários delegados, e a representante de Fiji ressaltou que o fracasso “mina o multilateralismo”
Assim, Agnès Pannier-Runacher, ministra francesa de Transição Energética, declarou: “Alguns países, guiados por interesses financeiros de curto prazo e não pela saúde de suas populações e pela sustentabilidade de suas economias, bloquearam a adoção de um tratado ambicioso.”
Os países chamados de “ambiciosos”, incluem América Latina, União Europeia, Canadá, Austrália, várias nações africanas e insulares. Juntas, defendem a redução da produção global de plástico e o monitoramento das moléculas mais preocupantes para a saúde humana.
Por outro lado, os países produtores de petróleo se opõem a qualquer limitação na produção ou à proibição de moléculas e aditivos considerados perigosos. Esses países não concordaram que a negociação abrangesse todo o ciclo de vida do plástico, desde a matéria-prima derivada do petróleo até o resíduo final.
Segundo Luis Vayas Valdivieso, em entrevista à AFP, a sessão de negociação “não chegou ao fim”, e a etapa seguinte integrará uma “nova fase da CNI5”. Assim, acrescentou: "A secretaria trabalhará para encontrar uma data e um local para celebrar a CNI5-3", acrescentou.
A diretora executiva do PNUMA (Nações Unidas para o Meio Ambiente), Inger Andersen, afirmou que os 10 dias de negociações revelaram "com mais detalhes as linhas vermelhas" de cada país.
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