ABIPLAST aponta avanço do setor plástico, com foco em logística reversa, reciclagem e cenário internacional
A indústria brasileira do plástico projeta crescimento de 2% no faturamento em 2026. Segundo a ABIPLAST (Associação Brasileira da Indústria do Plástico), o volume deve passar de R$ 164,8 bilhões para R$ 168 bilhões. Nesse cenário, o setor encerrou 2025 com indicadores considerados consistentes, mesmo diante de um ambiente econômico complexo.

De acordo com a entidade, o emprego cresceu 1% ao longo do último ano. Além disso, empresas direcionaram R$ 5 bilhões em investimentos apenas no primeiro semestre, com foco em modernização fabril, soluções sustentáveis e ampliação de plantas produtivas. Paralelamente, as importações de transformados plásticos avançaram 8%, com destaque para produtos oriundos da China.
Enquanto isso, as exportações registraram alta de 4%. O movimento concentrou-se, sobretudo, em países vizinhos ao Brasil. Atualmente, o setor reúne mais de 14 mil empresas em atividade e mantém cerca de 404 mil empregos diretos. Dessa forma, reciclagem e fabricação do plástico seguem como o quarto maior empregador da indústria de transformação.
Nesse contexto, o setor projeta encerrar o ano com crescimento de 3% no nível de emprego. Desse modo, reforça sua resiliência mesmo diante de um cenário macroeconômico desafiador.
Para a ABIPLAST, esses números reforçam a relevância econômica do segmento. Ao mesmo tempo, indicam um período de ajustes e adaptação às novas exigências regulatórias e às mudanças no cenário internacional.
Para 2026, a expectativa do setor aponta crescimento de 2% na produção. Segundo a ABIPLAST, os investimentos devem alcançar R$ 31,7 bilhões até 2027. Esses recursos seguem direcionados a embalagens sustentáveis, ampliação fabril, logística reversa e tecnologias ligadas à reciclagem.
Nesse sentido, a entidade avalia que a demanda por embalagens plásticas continuará em expansão. Isso ocorre porque segmentos como alimentos, bebidas e bens de consumo mantêm ritmo constante de consumo. Assim, o setor preserva espaço relevante na cadeia produtiva nacional.
Todavia, o início de 2026 traz fatores estruturais e geopolíticos que impactam diretamente o ambiente de negócios. Entre eles, mudanças regulatórias e oscilações no mercado internacional de matérias-primas ganham destaque. Por isso, empresas acompanham com atenção decisões governamentais e movimentos externos que influenciam custos e planejamento.
De modo geral, a ABIPLAST destaca que o setor entra no novo ano com bases consolidadas. Ainda assim, desafios exigem respostas coordenadas, sobretudo em temas ambientais e logísticos.
Em outubro de 2025, o governo federal publicou o decreto 12.688. A norma regulamentou a Política Nacional de Resíduos Sólidos e instituiu o Sistema de Logística Reversa de Embalagens Plásticas. Com isso, o setor passou a operar sob regras mais claras para destinação e reaproveitamento de materiais.
Paulo Teixeira, presidente executivo da ABIPLAST, afirma que o decreto consolida um processo construído ao longo de mais de uma década. Para se ter uma ideia, cerca de 25% das embalagens plásticas abrangidas pela norma já passam por reciclagem. Assim, o setor parte de uma base já existente.
Além disso, estima-se que aproximadamente 15% das embalagens não alimentícias já utilizem conteúdo reciclado, embora esse número ainda não esteja oficialmente consolidado. Nesse contexto, Teixeira destaca o principal impacto previsto para 2026.
“Para 2026, o principal impacto estará na necessidade de estruturar e ampliar a cadeia produtiva da resina reciclada, assegurando escala, qualidade e regularidade no fornecimento”, diz.
Porém, ele ressalta que a resina reciclada depende de fatores como coleta seletiva, atuação de cooperativas e qualidade do descarte. Isso impõe desafios técnicos, logísticos e financeiros. Ademais, a resina virgem mantém maior competitividade no mercado internacional devido ao excesso de oferta global.
“Esse processo exigirá investimentos, um período de transição, além do desenvolvimento de novas formulações e da realização de testes técnicos, para que as embalagens atendam simultaneamente às metas de logística reversa, às normas técnicas e aos requisitos de segurança.”
Segundo Teixeira, os primeiros anos serão decisivos. “Por isso, os primeiros anos de implementação serão fundamentais para ajustes, identificação de gargalos e correções de rota, de modo a preservar a competitividade do setor e a segurança do consumidor”, conclui.
O ano de 2026 começa com uma sinalização positiva para o setor plástico. O governo federal reconheceu o programa Recircula Brasil como ferramenta estratégica de economia circular. A iniciativa resulta de uma parceria entre a ABIPLAST e a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial.
Durante a COP30, realizada em novembro em Belém, o governo anunciou a criação de uma empresa pública voltada à gestão, certificação e padronização de dados de reciclagem. O modelo se baseia na estrutura do Recircula Brasil.
“O programa evidencia a capacidade estratégica do setor plástico produtivo, que desenvolveu uma solução própria, com a possibilidade de ser adaptada a diferentes cadeias produtivas”, constata Paulo Teixeira.
Em um ano e meio de operação, o programa rastreou mais de 45 mil toneladas de plástico reciclado. Além disso, identificou mais de 420 fornecedores distribuídos em 13 estados. O sistema também mapeou a origem dos materiais e os principais setores consumidores, como construção civil, bebidas e utilidades domésticas.
Ao avaliar o cenário, José Ricardo Roriz Coelho resume o momento do setor. “A indústria do plástico demonstra resiliência e protagonismo. Entramos em 2026 com bases sólidas, investimentos consistentes e uma agenda orientada por inovação, eficiência e sustentabilidade”.
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