A qualidade das resinas PET recicladas são tão boas quanto as
resinas virgens, porém o mercado ainda não possui informações sobre elas
Hoje as resinas recicladas possuem papel socioeconômico importante
na sociedade com intenção de preservação ambiente, e fornecem além de empregos
diretos e indiretos, os distribuidores de resinas recicladas contribuem também
com o meio ambiente.
Durante o Recy-Plastech 2019, o consultor da empresa 3Rios Resinas,
Luciano Gileno, comentou com exclusividade para o Portal Plástico Virtual, a
importância das resinas PET recicladas para a indústria do plástico.
Segundo Luciano, “tudo começa na garrafa pós consumo que é coletada e vai até a resina reciclada PET, que é chamada de PET PCR (Post-Consumer Recycling Plastic), para a fabricação de novos produtos”, comentou.
Confira na íntegra a nossa entrevista:
Plástico Virtual – Como vocês fazem para reciclar a resina PET?
Luciano Gileno – Como o processo começa na garrafa pós consumo que
é coletada, primeiro nós fazemos a descontaminação da garrafa e a transformamos
em flakes, para em seguida extrudarmos, filtrarmos e granularmos. Finalmente,
fazemos o devido tratamento térmico na resina produzida, garantindo sua
descontaminação e atingindo as propriedades desejadas, para assim obter uma
resina PET reciclada e vender para o mercado de embalagens novamente.
PV – Vocês já possuem distribuidores específicos para essas
resinas?
Luciano – A própria 3Rios Resinas já faz a venda para os seus
clientes de resinas recicladas.
PV – Vocês utilizam o marketing digital de alguma forma para
divulgar a matéria-prima e as resinas recicladas que vocês fabricam?
Luciano – Não utilizamos. A história da 3Rios Resinas é que ela
começou no ramo comercial vendendo resinas virgens. Era uma distribuidora e no
ano passado a empresa adquiriu uma planta de reciclagem, vendo a oportunidade
de produzir esse material reciclado.
PV – Como é a demanda das resinas PET virgem e recicladas hoje?
Luciano – Hoje a demanda das reinas PET virgens são muito maiores
que as resinas PET recicladas, e a 3Rios Resinas tem usado a estratégia de
oferece a resina reciclada para quem já é cliente da resina PET virgem, por
isso o canal digital não tem sido muito usado.
PV – A resina virgem já tem no mercado. E como vocês divulgam a
resina reciclada que é tão boa quanto a resina virgem? Falta informação no
mercado?
Luciano – Alguns clientes de grandes marcas já procuram por
resinas PET recicladas, e os que já testaram nosso produto comprovaram que ele
é tão performante quando uma resina virgem.
PV – A empresa percebe um aumento no pedido para esse tipo de
resina PET reciclada?
Luciano – O grande problema ainda é o preço. O mercado do plástico
ainda usa muito como base o preço da resina virgem, e quando o preço da resina
virgem está em alta, o mercado busca a resina PET reciclada.
Os preços das resinas virgens estão calcados em câmbio, preço do
dólar e na indústria petroquímica, já os preços das resinas PET recicladas
estão calcados numa escala menor. Nenhum reciclado por maior que seja consegue
alcançar a grande escala da petroquímica.
Na cadeia do
PET reciclado é necessário dezenas de pessoas para conseguir produzir uma
quantidade significativa de resinas recicladas, numa proporção incomparável às
petroquímicas que produzem a resina virgem.
PV – A matéria-prima é abundante ou está em escassez?
Luciano – O problema não é a matéria-prima, pois não falta garrafa
PET por aí. A grande questão é que essas garrafas não são coletadas. O PET é um
dos materiais mais reciclados, puxando a média da reciclagem de plásticos para
cima. E você pode transformar o PET reciclado em produtos que já existem e
têm demanda de mercado.
PV – Como é questão da reciclagem dos plásticos? E qual é o
desafio de trazer o produto para ser reciclado no mercado?
Luciano – Para o PET, a questão da reciclagem não é tão ruim quanto para os
demais plásticos, porém isso não quer dizer que a situação seja confortável do
ponto de vista ambiental. O PET ainda está longe do que poderia ser. O grande
desafio é a coleta, mas também na outra ponta é necessário que o mercado
entenda que o preço do produto reciclado não pode ser comparado com o do
produto virgem.
Quem compra
resina reciclada não pode fazer esta comparação entre os preços, pois as
cadeias de suprimento e transformação, além obviamente das escalas, são
completamente distintas.
PV – Porque então a resina PET reciclada é mais difícil de ser
aceita no mercado?
Luciano – Com relação a propriedades mecânicas e de performance no processo
do cliente, a qualidade é tão boa quanto a da resina virgem. O demérito da
resina reciclada é que ela é mais escura.
Os clientes
alegam que os consumidores não querem comprar um refrigerante de embalagem
escura, por exemplo. Mas será que não vão querer, mesmo se souberem o impacto
ambiental positivo do uso da resina reciclada por aquela marca? Ou será que só
um argumento da empresa para depreciar o valor da resina reciclada?
PV – As embalagens de garrafas hoje possuem diversas cores no
mercado, como funciona a reciclagem dessas embalagens?
Luciano - Quanto mais cores e mistura de materiais nas embalagens, mais
difícil é o processo de reciclagem. Hoje, as empresas agregam custos nas
embalagens coloridas. Então não parece ser um grande problema vender uma
embalagem que utiliza um percentual de resina reciclada naturalmente mais
escura. Falta uma estratégia de marketing para a resina reciclada.
Quem compra a
resina PET reciclada, tem o hábito de depreciar seu valor junto ao fornecedor.
Porém, na hora de vender o seu produto que contém o reciclado, procura vender
com valor mais alto, justificando pela preocupação ambiental. Falta as grandes
marcas se envolverem nesse mercado de valorizar a reciclagem.
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