Plástico pelo mundo: Fique por dentro das principais notícias e curiosidades do plástico pelo mundo. Japão testa reciclagem de fraldas usadas e amplia reaproveitamento de resíduos com nova tecnologia. Construção civil adota madeira plástica como alternativa durável à madeira tradicional e Barata Blaptica dubia mostra potencial para lidar com resíduos plásticos de forma biológica

Duas cidades no sul do Japão iniciaram testes para reciclar fraldas descartáveis usadas, transformando um dos resíduos mais persistentes em novos produtos de higiene. A iniciativa recebe apoio da Unicharm, uma das principais fabricantes do setor no país.
O tema ganha relevância global, pois famílias nos Estados Unidos descartam mais de 1 trilhão de fraldas por ano, o que posiciona o item entre os mais comuns em aterros sanitários. Como resultado, os componentes plásticos desses materiais podem levar mais de 500 anos para se decompor.
Nesse sentido, as cidades de Shibushi e Osaki, que somam cerca de 40 mil habitantes, já operam um sistema de reciclagem consolidado há cerca de 25 anos. À época, os municípios ampliaram políticas ambientais após identificarem o limite próximo do aterro local. Atualmente, apenas 20% do lixo doméstico segue para descarte comum, enquanto a taxa de reciclagem supera em quatro vezes a média nacional.
Posteriormente, em 2024, as cidades passaram a incluir fraldas usadas no sistema. Após a coleta, equipes realizam limpeza, trituração e separação em plástico, polpa e polímero superabsorvente.
Enquanto isso, a Unicharm adotou um processo com ozônio para branquear, esterilizar e eliminar odores da polpa, ampliando o reaproveitamento. Em seguida, a empresa desenvolve técnicas para reutilizar os demais materiais na fabricação de novas fraldas, com previsão de lançamento até 2028.
Atualmente, os produtos reciclados aparecem em mercados de teste e custam cerca de 10% a mais. Ainda assim, a empresa pretende expandir o programa para 20 municípios na próxima década.

A madeira plástica, fabricada a partir de polímeros reciclados como polietileno e polipropileno, amplia presença em aplicações externas e estruturas leves. De acordo com estudos técnicos do SEBRAE (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), o material apresenta alta durabilidade, resiste à umidade e reduz a necessidade de manutenção ao longo do tempo.
Sendo assim, a construção civil intensifica a busca por soluções mais duráveis, especialmente em ambientes urbanos e costeiros. Desse modo, a madeira plástica passa a ocupar espaço em projetos que exigem maior resistência às condições climáticas.
A produção ocorre a partir de resíduos plásticos como PEAD e PP. Em seguida, as indústrias realizam coleta, separação e limpeza desses materiais. Posteriormente, os resíduos passam por trituração, extrusão e moldagem, formando perfis sólidos que imitam a madeira natural.
Diferentemente da madeira convencional, o material não possui fibras orgânicas. Por isso, ele não sofre degradação causada por fungos, umidade ou insetos. Consequentemente, a estrutura mantém suas características por mais tempo.
A composição polimérica impede a absorção de água. Logo, o material não apresenta problemas como apodrecimento, deformação ou proliferação de fungos, comuns na madeira tradicional.
Outro ponto relevante envolve a durabilidade. Em condições adequadas, o material permanece funcional por décadas. Ao passo que a madeira natural exige verniz, tratamento contra pragas e substituições periódicas, a madeira plástica reduz essas intervenções.
Com isso, o material não sofre ataque de cupins, fator recorrente em regiões tropicais. Dessa forma, projetos de médio e longo prazo passam a considerar a alternativa como opção economicamente mais vantajosa.

Pesquisadores identificaram que a barata da espécie Blaptica dubia consegue degradar poliestireno, um dos plásticos mais presentes em descartes irregulares. De acordo com a Environmental Science and Ecotechnology, o inseto elimina cerca de 55% do material ingerido em apenas 42 dias.
Os pesquisadores responsáveis pelo estudo atuam principalmente em instituições como a Harbin Institute of Technology e a Stanford University. Além disso, outras investigações sobre o mesmo tema também indicam colaboração com universidades como a Michigan State University, o que reforça o caráter internacional das pesquisas envolvendo a degradação de plásticos por organismos vivos.
Sob esse viés, o dado chama atenção pelo tipo de transformação envolvida. A barata não se limita a fragmentar o plástico, já que promove alterações químicas que modificam sua estrutura. Assim, o estudo reposiciona o inseto, antes visto como praga urbana, como agente com potencial de aplicação ambiental.
Durante os testes, cientistas observaram mudanças relevantes no material. Entre os efeitos, aparecem a redução das cadeias poliméricas, a oxidação e a quebra de ligações químicas resistentes. Com isso, o plástico passa por um processo que facilita sua transformação em compostos menores.
Na sequência, o organismo da barata conduz um mecanismo integrado. Microrganismos presentes no intestino iniciam a degradação, enquanto o metabolismo do inseto absorve os subprodutos gerados. Dessa maneira, o material deixa de ser apenas resíduo e passa a atuar como fonte de carbono.
Esse ciclo envolve etapas como a quebra inicial por bactérias, a absorção dos compostos e a conversão em energia. Em seguida, o inseto elimina parte dos resíduos já transformados.
Mesmo assim, a pesquisa ainda não indica aplicação imediata em larga escala. Em contrapartida, os resultados abrem novas possibilidades para reduzir o acúmulo de plásticos descartados de forma inadequada, ao explorar soluções baseadas em processos biológicos.
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