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Produção de transformados plásticos recua em 2019, aponta ABIPLAST

Reformas, revisão do crescimento do PIB e outros fatores foram importantes para resultado, que deve ser positivo em 2020

O Portal Plástico Virtual recebeu, em primeira mão, os dados do setor de transformação do material plástico em 2019 da ABIPLAST (Associação Brasileira da Indústria do Plástico) e conversou com o presidente da Associação, José Ricardo Roriz Coelho sobre suas projeções para o setor em 2020.

Em 2019, a produção física do setor de transformados plásticos recuou -1,6%, muito longe dos 2,5% positivos previsto para o ano. As revisões de crescimento do PIB ao longo do ano, e a timidez das reformas foram fatores importantes para o recuo, segundo Roriz. “Os resultados se mostraram tímidos, reflexo do processo vagaroso das reformas e do comportamento da própria indústria geral, que recuou -1,1% no ano.”, explicou o presidente.

A indústria de produtos plásticos gera, atualmente, mais de 325 mil empregos no país e é considerada um dos setores que mais emprega. Segundo dados da ABIPLAST o setor de transformados plásticos é o 3º maior empregador da indústria de transformação brasileira, que possui relação de 85% com o desempenho do PIB brasileiro.

Confira na íntegra os detalhes da entrevista:

Plástico Virtual – Sabemos que no início de 2019 a expectativa era de que o ano tivesse um crescimento de 2,5% na produção de matéria-prima plástica. Esse número foi confirmado?

José Ricardo Roriz Coelho – Diante dos resultados do setor ao longo do ano, e das revisões de estimativas para o crescimento do PIB e da produção industrial, revisamos para baixo a projeção de crescimento da produção física do setor de transformados plásticos. Primeiro para 1,5% em maio, depois para 0,7% em agosto, e, por fim, 0,5% em dezembro. Com os recentes dados do IBGE, mostramos que essa expectativa não atingida.

A retração se deve, principalmente, devido á queda na produção de laminados, por conta de uma diminuição na produção de bens intermediários, bem como uma diminuição nos segmentos de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos (-3,7%) e de produtos farmacêuticos (-3,7%).

PV – Como as aprovações das reformas do Governo influenciaram a produção e o desempenho do mercado interno?

Roriz – A implementação de reformas estruturantes (previdenciária, tributária e administrativa) são necessárias para melhorar a competitividade no país, porém, devido aos padrões a serem seguidos, os tão esperados avanços foram tímidos em 2019.

Apenas no final do ano foi que tivemos aprovada a reforma da previdência, que é fundamental para o controle da economia e para garantir uma retomada sustentável. Seguimos esperando que as demais reformas avancem em 2020, especialmente a tributária, que, apesar de gradual, impacta diretamente o setor produtivo.

PV – No início do ano passado havia otimismo do mercado em relação a 2019. Como está a sensação hoje? O mercado espera que 2020 seja um bom ano, mesmo com eleições municipais?

Roriz – Embora o crescimento tenha sido abaixo das expectativas para o ano, ainda acreditamos que a indústria apresentará uma recuperação gradual, mesmo que a pequenos passos. Os últimos dados do PIB registraram bons resultados, assim como o comportamento da construção civil. Os empresários também se mostram otimistas.

Tendo em vista, aliado às esperadas reformas, nossa expectativa é que a produção física do setor cresça +1,5% em relação a 2019 e não acreditamos que as eleições municipais terão grande impacto na produção do setor.

PV – A recente, e crescente, onde pelo banimento do plástico (especialmente de uso único) influenciou na produção? É uma preocupação para a Associação esse tipo de movimento da sociedade?

Roriz – De acordo com os dados disponibilizados pelo IBGE, é estimado que apenas 1,7% do mercado plástico refere-se a descartáveis. As indústrias que produzem esses produtos, sem dúvidas, estão sendo impactadas e se movimentam para se adaptar a esse novo cenário.

Contudo, quando olhamos para o macro, envolvendo outros inúmeros setores que consomem produtos plásticos, o que mais impacta o setor é o cenário econômico e de competitividade.

A ABIPLAST reforça que se preocupa, sim, com a imagem do plástico, com a vilanização do material e o crescente número de legislações voltadas para o banimento de produtos plásticos, já que esses movimentos trazem insegurança jurídica, mexem com a competitividade e o planejamento das empresas, o que causa impacto nos investimentos, na geração de empregos e até mesmo na manutenção da atividade industrial.

Além disso, a ABIPLAST acredita que não geram no consumidor a consciência do consumo e o incentivo ao descarte correto, além de não estarem de acordo com a própria recomendação da ONU Meio Ambiente, que sugere avaliações de impacto prévias ao banimento.

PV – Quais as expectativas do setor para o ano?

Roriz – Para 2020, a expectativa atual é que a produção física de transformados plásticos cresça aproximadamente +1,5%. Para essa projeção, consideramos o avanço das reformas, que permitirão um ambiente de negócios mais promissor para os empresários do setor.

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