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[Plástico Pós-Pandemia] Impacto econômico será passageiro e deve melhorar

Segundo presidente da ABINFER projetos foram postergados e queda foi de 45% para o setor

Dando sequência ao projeto Plástico Pós-Pandemia, em que conversamos com presidentes de entidades e associações de classe no mercado industrial do plástico e seus adjacentes, entrevistamos o presidente da ABINFER (Associação Brasileira da Indústria de Ferramentais), Christian Dihlmann, que trouxe dados importantes sobre o setor.

Para o presidente, o momento é de análise e calma. “As entradas econômicas são cíclicas no mundo, quando não é uma pandemia, é uma recessão econômica por conta de uma ameaça de guerra, ou explosão, ou petróleo. Sempre passamos por turbulências e elas vão ser superadas”, contou.

Confira a entrevista na íntegra:

Plástico Virtual – Como o setor se adaptou à nova realidade? Especialmente no viés econômico. Houve retração considerável? Como lidam com os números?

Christian Dihlmann – Houve uma retração muito significativa, principalmente a partir de março, hoje as ferramentarias estão operando com a capacidade de 45% disponível. O impacto financeiro foi grande, pois muito dos nossos clientes acabaram também desacelerando pagamentos, até por conta das legislações que permitiam parcelar, jogar pagamentos para frente e até pela própria incerteza do mercado.

Alguns projetos que tinham previsão para acontecer no primeiro semestre de 2020 foram postergados, congelados, e o próprio fundo de pagamentos não aconteceu, impactando nas contas das ferramentarias e dos fornecedores, porque se eu não tenho pedidos para fabricar moldes, eu não tenho pedido do aço, da ferramenta e a cadeia toda foi impactada.

PV –   Em relação a vagas de trabalho, como estão lidando com as perdas? Existe alguma iniciativa governamental para ajudar nesse quesito?

CD – Houve a questão da suspensão de trabalho por 2 meses, houve a questão de redução de salários com os sindicatos, porém algumas empresas aderiram a esses programas parcialmente, boa parte delas teve demissão, em alguns casos chegou a 25% de demissão, e mais 35% que estavam na empresa entraram na questão de redução de jornadas ou suspensão de trabalho.

PV –   O que espera do próximo ano?

CD – Para 2021 estamos com uma expectativa muito boa, a partir desse mês de julho também estamos vendo uma sinalização de recuperação, ela é bastante tímida, nós já percebemos que os clientes estão voltando com os contatos, com os pedidos.

Se nós conseguirmos atingir o mesmo patamar de 2019 neste ano, nós vamos estar bem, quando a nossa expectativa era de crescimento de 28% em 2020 em relação a 2019, as nossas expectativas até o mês passado era que teríamos uma redução de 35%.

Agora com este reinicio, com os indicadores que mostram descongelamento, algumas empresas já estão felizes que vão atingir o mesmo faturamento de 2019.

PV –   Como lidam com a nova realidade? Existe alguma ação que queira destacar?

CD – A Abinfer tem divulgado entre os associados as ações que o Governo está fazendo, algumas manifestações de clientes como o setor automotivo, construção civil, embalagens, as informações que nos chegam em relação a perspectivas de negócios, temos contribuído. Não há muito o que seja fazer neste momento, a não ser capacitar as nossas empresas em home office, capacitação dos nossos profissionais.

Em relação aos negócios não temos muito o que fazer, porque não é um negócio online, nosso negócio é a transformação do produto e usinar, e se eu não tenho o projeto, eu não tenho como fomentar.

O que temos que aproveitar nessa hora de redução de demanda é nos preparar melhor para a retomada, melhorando nossos processos de usinagem para que sejamos mais competitivos.

PV –   Existe algum dado de recuperação econômica ou ao menos projeção?

CD – Nossa projeção até o mesmo passado era que estaríamos operando com 65% do que faturamos nem 2019. Agora com esta nova indicação, é possível que a gente recupere o mesmo nível de faturamento, ou seja, não haverá crescimento, será de 0%, mas pelo menos não em um número negativo.

PV –   A oscilação do dólar afeta a produção local? De que forma?

CD – Na realidade quanto mais subir o dólar, mais chances de nos vendermos os nossos produtos, fica mais competitivo no mercado interno, isso é uma consequência natural.

Por outro lado, se eu não tenho equipamento produtivo necessário para produzir no Brasil e eu preciso importar o equipamento, ai também passa a ser um viés negativo, porque eu vou pagar mais caro pra um equipamento que vem de fora. O grande problema hoje, é que estamos competindo com a China, porque o dólar aumentou muito, nós estamos com um preço bom, porém nosso cliente não está comprando.

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