O que é regrind, quando usar material reprocessado é tecnicamente aceitável e quando é um erro que custa o cliente
Regrind reduz custo de matéria-prima, mas tem limites técnicos claros. Saiba quando o uso de material reprocessado é aceitável e quando compromete a qualidade e o cliente.
O que é regrind, quando usar material reprocessado é tecnicamente aceitável e quando é um erro que custa o cliente
A prática comum que tem limites que ninguém documenta
Regrind é o material plástico moído obtido de aparas de processo, galhos de injeção, peças rejeitadas no controle de qualidade ou sobras de produção. Em praticamente toda indústria de transformação plástica, esse material é moído e reintroduzido no processo misturado com resina virgem.
A prática é economicamente atrativa porque transforma um resíduo de processo em matéria-prima recuperada. Em materiais de custo elevado, como policarbonato ou poliamida, a economia pode ser significativa.
No entanto, o regrind tem limites técnicos que raramente são documentados com rigor nas empresas. Esses limites existem porque cada passagem pelo processo de fusão degrada as propriedades do polímero de forma cumulativa e irreversível.
O que acontece com o polímero quando é reprocessado
A cada reprocessamento de um termoplástico (seja pela segunda, terceira ou quarta vez), o equipamento aplica novamente alta temperatura e cisalhamento mecânico sobre o material. Além de expô-lo ao oxigênio.
Essa combinação causa quebra das cadeias poliméricas por mecanismos de cisão de cadeia e, em materiais sensíveis, oxidação térmica. O resultado é redução do peso molecular médio do polímero, que se manifesta como aumento do MFI, redução da viscosidade de fundido, perda de resistência mecânica, especialmente ao impacto e à tração, e em alguns casos mudança de cor ou opacidade.
Em materiais sensíveis à hidrólise, como poliamida e PET, a umidade absorvida entre o primeiro e o segundo processamento pode acelerar drasticamente a degradação se o material não for seco adequadamente antes de ser reintroduzido.
Os percentuais máximos por tipo de polímero
A literatura técnica e a prática do setor estabelecem percentuais máximos de regrind para incorporação sem que isso comprometa significativamente as propriedades da peça final. Esses percentuais são referências gerais e podem variar conforme a aplicação e os requisitos de qualidade do cliente.
Portanto, Para polipropileno e polietileno em aplicações estruturais sem requisito técnico crítico, as indústrias habitualmente aceitam um percentual de regrind de até 20 a 25%. Desde que o material tenha passado pelo processo apenas uma vez e recebido armazenamento adequado.
Para ABS e poliestireno, o limite prático é em torno de 15 a 20%, com monitoramento da cor e das propriedades mecânicas a cada lote.
Já quando se trata de policarbonato, a sensibilidade à hidrólise e à degradação térmica limita o uso de regrind a percentuais menores. Isso porque, geralmente está abaixo de 10 a 15%, e exige secagem rigorosa antes do reprocessamento.
Para poliamida e PET, o regrind é tecnicamente possível mas exige secagem controlada e monitoramento de viscosidade. O percentual máximo depende do histórico térmico do material e das exigências de desempenho da peça.
Onde o regrind é tecnicamente inaceitável
Existem aplicações e segmentos onde o uso de regrind é técnica ou regulatoriamente inaceitável, independente do percentual ou da qualidade do material reprocessado.
Em embalagens de contato direto com alimentos, a legislação brasileira e as normas da ANVISA proíbem o uso de material reciclado ou reprocessado sem certificação de reciclagem pós-consumo. O regrind de processo, mesmo sendo material virgem reprocessado, não tem o mesmo status regulatório.
Em componentes médicos e cirúrgicos, a exigência de rastreabilidade de material e a necessidade de propriedades mecânicas certificadas tornam o uso de regrind incompatível com a maioria das especificações de produto.
Em peças automotivas com requisitos de segurança, como componentes de airbag, sistemas de freio e estruturas de absorção de impacto, as normas de homologação geralmente proíbem o uso de material reprocessado porque as propriedades mecânicas pós-reprocessamento não são suficientemente previsíveis para garantir o desempenho em condição de uso real.
Como usar regrind com segurança
O uso seguro de regrind começa pela segregação por tipo de material e por número de passagens pelo processo. Misturar regrind de PP com regrind de PEAD, por exemplo, gera contaminação que é impossível de reverter e gera problemas de compatibilidade no processamento.
O segundo requisito é documentar o histórico do material. Desse modo, o O regrind que já passou pelo processo três ou mais vezes perde propriedades significativamente, exigindo que a equipe o descarte ou destine a aplicações sem requisito técnico, em vez de reintroduzi-lo na produção principal.
O terceiro requisito é monitorar as propriedades do produto final regularmente. Sendo assim, qualquer variação de rigidez, resistência ao impacto, acabamento superficial ou cor que uma mudança de parâmetro de processo não explique deve levantar a hipótese de degradação excessiva do regrind
Dúvidas frequentes
Qual é o percentual máximo de regrind permitido na injeção plástica?
Os percentuais máximos variam por material e aplicação. Para PP e PE em aplicações sem requisito crítico, o limite habitual é de 20 a 25%. Enquanto isso, o ABS e PS, em torno de 15 a 20%. Para PC, abaixo de 10 a 15% com secagem rigorosa. Já para PA e PET, o percentual depende do histórico térmico do material e das exigências de desempenho. Esses valores são referências gerais e não substituem a avaliação técnica da aplicação específica.
O regrind pode ser usado em embalagens de alimentos?
Não. A legislação brasileira e as normas ANVISA proíbem o uso de material reciclado ou reprocessado em contato direto com alimentos, exceto quando se trata de material pós-consumo certificado por processo específico aprovado. O regrind de processo industrial não atende a esse requisito regulatório.
Como o regrind afeta as propriedades mecânicas da peça injetada?
Cada passagem pelo processo de fusão reduz o peso molecular médio do polímero por cisão de cadeias e degradação térmica. O resultado é aumento do MFI, redução da resistência ao impacto e à tração e, em alguns materiais, mudança de cor. O impacto é cumulativo e irreversível, o que torna o controle do número de reprocessamentos crítico para manter a qualidade da peça final.
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