Alta do petróleo pressiona custos, afeta insumos e gera instabilidade no setor plástico do Sul, o diretor do Sinplasc (Sindicato das Indústrias Plásticas do Sul Catarinense) analisa impactos
O aumento do preço do petróleo já pressiona diretamente a cadeia do plástico no Sul. Com alta superior a 50% desde o início do conflito no Irã, insumos como polietileno e polipropileno registram elevação significativa. Dessa forma, empresas da região enfrentam dificuldades para manter operações estáveis.

A região concentra um dos principais polos produtivos do setor. Por isso, qualquer variação no custo do petróleo impacta rapidamente a rotina das indústrias locais. O cenário atual combina custos elevados com incertezas na aquisição de matéria-prima.
As empresas já sentem os efeitos no dia a dia, com mudanças frequentes nos preços e na disponibilidade de insumos.
De acordo com Elias Caetano, diretor do Sinplasc (Sindicato das Indústrias Plásticas do Sul Catarinense), “A gente vem sofrendo os impactos diretos sobre os custos. A disponibilidade de matéria-prima, a logística e a formação dos preços estão instáveis. Nós temos aqui grandes empresas que já suspenderam vendas, que estão vendendo com o preço do dia, sem poder garantir preço e operando sem garantias contratuais mínimas, tanto no suprimento quanto na revenda.”
Ao mesmo tempo, o setor trabalha com margens reduzidas e pouca margem para absorver oscilações. Assim, os aumentos acabam sendo repassados ao longo da cadeia.
O uso do plástico em diversas atividades amplia o alcance do impacto. Segundo Elias Caetano: “Quase todas as atividades consomem plástico. E aqui na região, estamos dedicados especialmente à produção de embalagens, para higiene, limpeza, bebidas, alimentos, além dos descartáveis. Então, é um efeito dominó.”
Enquanto isso, o aumento dos custos ainda não chegou totalmente ao consumidor final. Dessa maneira, a cadeia produtiva absorve parte da pressão no curto prazo. Ainda assim, o repasse tende a aparecer gradualmente nos preços.
Os preços das matérias-primas seguem em forte oscilação. Em alguns casos, os valores mais do que dobraram em poucas semanas. Conforme Elias destaca, “Alguns materiais da nossa matéria-prima já subiram mais de 100%. Polipropileno e polietileno são as nossas principais matérias-primas. Saímos de um patamar de em torno de 700 dólares por tonelada para mais de 1.400 dólares.”
Diante disso, as tabelas mudam diariamente, o que dificulta qualquer planejamento. Assim, o setor continua exposto a um cenário de instabilidade que deve persistir enquanto o conflito internacional seguir sem definição.
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