A produção industrial cresceu apenas 0,6% em 2025, com a indústria extrativa sustentando o resultado diante da retração da transformação
Em 2025 a atividade industrial sofreu alterações de ritmos causadas, principalmente, pelos juros altos, demanda interna insuficiente e aumento das importações, aponta a CNI (Confederação Nacional da Indústria).

Nesse mesmo sentido, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou que a produção industrial cresceu somente 0,6% ano passado. Assim, demonstrando desaceleração já que em 2024 teve uma alta de 3,1%.
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O que manteve o resultado da indústria em 2025, foi o desempenho da indústria extrativa que a produção cresceu 4,95%. O avanço neutralizou a queda de 0,2% da indústria de transformação, área dedicada à conversão de matérias-primas em bens como alimentos, roupas, automóveis e eletrônicos. Ainda assim, o setor vinha de uma expansão de 3,7% ao longo de 2024.
A desaceleração da atividade industrial começou no segundo semestre de 2024. Nesse momento, o Banco Central deu início ao ciclo de elevação da taxa Selic, movimento que alterou o ambiente econômico. Após registrar crescimento de 2,3% no primeiro semestre daquele ano, a indústria de transformação avançou apenas 1,8% nos seis meses seguintes.
Em seguida, a continuidade do aperto monetário intensificou os efeitos sobre o setor. A Selic atingiu 15% em meados de 2025. Como consequência, a produção da indústria de transformação recuou 0,4% no primeiro semestre do ano passado. Na sequência, o segundo semestre aprofundou a retração, com queda de 0,8%.
Nesse sentido, o crédito mais caro passou a influenciar decisões empresariais e o comportamento do consumidor. “O patamar punitivo da taxa Selic encareceu o crédito ao setor produtivo, que segurou investimentos, e reduziu o apetite dos consumidores por produtos industriais.
O prejuízo causado pelos juros altos é enorme: em 2024, com a Selic menor, a demanda doméstica por bens da indústria de transformação cresceu quatro vezes mais do que a demanda registrada até novembro de 2025”, pontua Mário Sérgio Telles, diretor de Economia da CNI.
Enquanto isso, os dados da Sondagem Industrial da CNI confirmaram o enfraquecimento da demanda. Os próprios empresários relataram estoques acima do nível planejado durante o segundo semestre de 2024. Esse acúmulo sinalizou dificuldade de absorção da produção pelo mercado interno.
Além disso, o setor enfrentou a pressão do avanço das importações. As compras de bens de consumo cresceram 15,6% em 2025. Já os bens de capital avançaram 7,8%. Os bens intermediários, por sua vez, subiram 5,6%, movimento que ocupou parcela relevante do mercado doméstico.
Diante desse quadro, o ICEI (Índice de Confiança do Empresário Industrial), da CNI, refletiu o ambiente negativo. O indicador registrou o pior resultado para um mês de janeiro em dez anos. Assim, o índice completou 13 meses consecutivos abaixo da linha de 50 pontos, caracterizando um período prolongado de falta de confiança.
Por fim, esse sentimento levou empresários a adiar decisões estratégicas. A redução de investimentos, produção e contratações passou a comprometer as perspectivas para 2026 e influenciou diretamente o ritmo da economia brasileira.
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