Entenda o estado de emergência no Rio Grande do Sul De acordo com dados divulgados pela Defesa Civil no último dia 8, aproximadamente 1,5 milhão de pessoas já foram atingidas pelas chuvas extremas que afligem o Rio Grande do Sul. Assim, somando todos os estados da região, 85% estão sofrendo com as consequências dos temporais. […]
De acordo com dados divulgados pela Defesa Civil no último dia 8, aproximadamente 1,5 milhão de pessoas já foram atingidas pelas chuvas extremas que afligem o Rio Grande do Sul. Assim, somando todos os estados da região, 85% estão sofrendo com as consequências dos temporais.

Por conta das tempestades, o número de mortos subiu para 116, de acordo com a atualização feita na sexta-feira, dia 10 de maio. Ainda, segundo a recente atualização, há um óbito passando por investigação. O estado também registra 146 desaparecidos e 756 feridos.
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Dentre os estados, os que mais registram números de mortos são: Cruzeiro do Sul com 8, Gramado com 7, Santa Maria com 6 e Bento Gonçalves com 6.
Em relação aos desalojamentos, registaram-se 163.786 pessoas desabrigadas. Enquanto 67.428 encontram-se em abrigos.
Partes do Rio Grande do Sul também estão sem água e sem luz. Da concessionária RGE Sul, há 253.500 clientes sem energia elétrica, o número representa 8,3% dos clientes. Entre as pessoas, a maioria reside em regiões que foram inundadas ou estão em locais sem acesso externo da equipe, conforme disse a distribuidora.
Além disso, Porto Alegre, Guaíba, Eldorado do Sul e Alvorada também têm pontos sem luz. As cidades em questão recebem fornecimento da CEEE Equatorial, até então, 205.563 clientes encontram-se sem energia. Resultando em, 8,3% do total de clientes.
A falta de água, por sua vez, atingiu 523.311, do total de 6 milhões de clientes da Corsan no RS. De acordo com a Defesa Civil, dezenas de municípios estão sem serviços de telefonia e internet das companhias Tim, Vivo e Claro.
As rodovias também foram afetadas, com 85 trechos em 44 rodovias bloqueados total ou parcialmente. Entre eles estão as estradas e pontes.
Com as chuvas que se intensificaram em algumas partes do estado, em abril, o Rio Grande do Sul já passa pelo que se considera a maior tragédia climática-humanitária.
Apesar de marcarem o mês de abril como o fortalecimento dos temporais, o RS vem sofrendo com chuvas fortes desde o ano anterior, começando em junho de 2023 e chegando até maio de 2024.

Sendo assim, o mês de junho e julho passaram por um evento de chuvas fortes cada. Já em setembro o número subiu para dois. Em outubro marcou-se um, mas em novembro voltou a subir para dois. Em janeiro elas voltaram e no mês de abril intensificaram-se.
Com esses registros, o estado sofreu dez eventos de chuvas extremas em menos de um ano.
Diante disso, segundo o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), as chuvas têm decorrência também de fenômenos como o El Niño. Afinal, segundo o Instituto, o evento aquece as águas do Pacífico e bloqueia as frentes frias. Dessa forma concentra-se os sistemas de áreas de instabilidade na altura do Rio Grande do Sul causando chuvas mais intensas.
O RS possui uma região geográfica de planalto mais elevada, com parte mais alta com 900 até 600 metros acima do nível do mar, na região de Caxias e Bento Gonçalves. Neste local, ocorreu o maior volume de chuvas, segundo o professor de climatologia da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), Francisco Eliseu Aquino.
Especialistas de questões hídricas analisam o cenário de calamidade no estado. De acordo com eles, a soma de fatores como aspectos climáticos, geográficos e administrativos ocasionam desastres desse grau.
A princípio, o professor e especialista em gestão de recursos hídricos da Unesp em Ourinhos, Rodrigo Lilla Manzione, explica que a região tem muitos rios meandrantes e também rios de serra. De modo que, essas características dão velocidade para as águas, muito maior do que em regiões com rios de planície.
E apesar de encontrarem a planície perto da Baía dos Patos, em Porto Alegre, a água para. Isso porque os rios de planície tem uma vazão menor, e quando a água para, ela tende a se estender, segundo o professor.
O também pesquisador nas áreas de mudanças climáticas entre a Antártica e o Sul do Brasil, Francisco Eliseu Aquino, aponta que devido o alto volume de chuvas descendo a serra, a água toda escoa para rios Vale do Taquari, Jacuí, entre outros, que desembocam no Lago Guaíba.
Esta região metropolitana conecta os municípios de Canoas, Esteio, Sapucaia, Eldorado, São Leopoldo, Novo Hamburgo e a cidade de Porto Alegre. Isso faz o nível do rio subir, segundo o professor.
Portanto, neste cenário, o escoamento fica complexo, pois como o rio Guaíba recebe o volume de diversos afluentes, ele supera o sistema de comportas, que é o que tem acontecido no momento. Além disso, com o grande volume os rios escoam água para o Delta Guaíba, que faz aumentar o número de cidades inundadas.
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