Créditos de carbono de reciclagem no Brasil podem gerar R$ 2,8 bi
Brasil estreia projeto pioneiro de créditos de carbono da reciclagem, integrando indústria, tecnologia e trabalhadores informais com foco em sustentabilidade
Créditos de carbono de reciclagem no Brasil podem gerar R$ 2,8 bi
O primeiro projeto brasileiro para geração de créditos de carbono de reciclagem acaba de chegar ao país por meio da startup Green Mining, especializada em logística reversa. Esta solução visa transformar o setor no mercado e tem potencial para movimentar R$ 2,8 bilhões por ano a partir de 26 mil toneladas de resíduos desviadas de aterros e lixões.
Sendo assim, além de resolver demandas ambientais, o projeto também foca em gerar renda e impactar socialmente. Portanto, nesta primeira fase, a proposta submeteu-se à certificadora internacional Gold Standard e começará a comercializar créditos em até seis meses.
Vale ressaltar que há iniciativas similares já aprovadas em outros países, como Romênia e Kenya e alguns da Verra na China.
Nesse sentido, Rodrigo Oliveira, CEO da Green Mining, durante a coletiva de imprensa, antecipou a novidade. Em seguida, explicou que os recursos provenientes dos créditos serão destinados à reorganização da cadeia e repassados ao primeiro elo, formado por catadores e agentes ambientais.
Assim, Oliveira diz: "Ao compartilhar além do valor do material, não falamos só sobre de financiamento, mas também de justiça climática. Os catadores precisam ser melhor remunerados.”
Iniciativa quer conectar indústria, tecnologia e trabalhadores informais
Dentro do programa em andamento da Estação Preço de Fábrica, a startup implementará a iniciativa pioneira. Para isso, trabalhará em parceria com o Banco do Brasil e a Kipos Soluções Ambientais. Recebendo também apoio de empresas como Grupo Boticário, EDP, Ibema, Indorama Ventures, Nude, Parque Global, Tesouro Nacional e B3.
Localizadas em São Paulo, Minas Gerais, Bahia e Tocantins, as nove estações atuam como contêineres de depósito de resíduos. Ao mesmo tempo, elas compram os materiais recicláveis e efetuam o pagamento via Pix.
Logo, o dinheiro vai diretamente para às mãos dos catadores e carroceiros, sem a intervenção de atravessadores. Como consequência, os ganhos mensais aumentam de R$ 250 para até R$ 2,5 mil, um crescimento de aproximadamente 400% a 500%.
De acordo com o CEO, a iniciativa visa integrar produtivamente trabalhadores que vivem em situação de precariedade e recebem pouco reconhecimento. Paralelamente, a empresa paga valores equivalentes aos da indústria e utiliza um aplicativo para registrar e comprovar toda a logística.
O piloto, então, concentrará suas atividades em cinco estações paulistas: Santo Amaro, Jabaquara, Pinheiros, Camaçari e Embu das Artes, gerenciando resíduos plásticos, papel, vidro e metal.
Dessa forma, espera-se reduzir 268 mil toneladas de CO2 equivalente na atmosfera ao longo dos próximos 20 anos.
Potencial brasileiro de descarbonização é nove vezes maior que a demanda interna
Os números mostram o tamanho do potencial desperdiçado, especialmente em um momento estratégico.
Além disso, o Brasil regulamentou o mercado de carbono no final de 2024, e a implementação deve começar em quatro a cinco anos. Enquanto diversos projetos já estão em andamento no mercado voluntário.
A PwC revelou em estudo recente que o potencial brasileiro no setor é nove vezes maior que a demanda interna. Com isso, o Brasil se destaca como “um grande hub de descarbonização” e pode liderar a exportação global.
O país produz todos os anos 26 milhões de toneladas de resíduos recicláveis, mas só utiliza entre 5% e 7% desse total. Assim, a conversão completa em créditos de carbono poderia gerar R$ 144 milhões por ano.
Nesse contexto, o CEO explica: "Conseguirmos mitigar é uma fortaleza: reduzir a extração da natureza e deixá-la se regenerar". Para Oliveira, transformar o resíduo em recurso fortalece a atividade, tornando-a economicamente viável e promovendo uma cadeia mais justa e sustentável.
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