Indústria deve enfrentar perda de ritmo em 2026, aponta análise da CNI
A indústria brasileira deve atravessar 2026 em um ambiente de desaceleração mais disseminada da atividade econômica e impacto direto dos juros elevados sobre o setor produtivo.
A economista Larissa Nocko, especialista em políticas e indústria da CNI (Confederação Nacional da Indústria), apresentou essa avaliação durante a primeira Reunião de Diretoria da FIERN (Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte) deste ano, realizada na Casa da Indústria.
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Nesse encontro, a especialista detalhou o “Cenário Econômico e Perspectivas para 2026” e destacou que o crescimento projetado para este ano deve ficar entre os menores registrados nos últimos cinco anos. Assim, a atividade econômica tende a perder força ao longo dos próximos meses.
De acordo com a economista, o enfraquecimento aparece de forma generalizada em diferentes áreas da economia. Ainda assim, os sinais mais claros surgem na indústria, que enfrenta queda de ritmo mais evidente.
Com isso, Nocko, comenta: “Tivemos um crescimento forte da produção extrativa – petróleo e minério de ferro – enquanto a indústria de transformação apresentou um recuo. Diferente do que aconteceu em 2024.”
A análise indica que o ambiente macroeconômico pressiona o setor produtivo. Os juros elevados encarecem o crédito e reduzem a disposição para novos investimentos, circunstância que afeta diretamente segmentos ligados à produção.
Enquanto isso, os indicadores apontam que a economia segue em expansão, embora em velocidade menor. Dessa maneira, o país deve atravessar 2026 com crescimento positivo, porém distante do dinamismo observado em períodos recentes.
Dados indicam queda da demanda industrial
Dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada apontam queda na demanda e deterioração da confiança do empresário industrial. O ambiente de negócios se torna mais cauteloso para empresas que dependem do mercado interno.
Ao mesmo tempo, o avanço das importações amplia a pressão sobre a produção nacional. Produtos estrangeiros, sobretudo bens de consumo, conquistam uma fatia relevante do mercado interno e reduzem o espaço para fabricantes locais.
Nesse cenário, alguns segmentos apresentam trajetórias distintas. O setor extrativo surge como ponto fora da curva, pois a produção de petróleo e minério de ferro sustenta resultado relativamente melhor. Em contraste, a indústria de transformação registra recuo na atividade.
Paralelamente, a economista destaca que a inflação apresenta trajetória de desaceleração. Ainda assim, a taxa básica de juros permanece em nível restritivo, situação que pesa sobretudo sobre os segmentos mais dependentes de crédito. A expectativa indica que o Banco Central do Brasil poderá iniciar cortes na Taxa Selic ao longo do ano.
Mesmo diante desse quadro, a Confederação Nacional da Indústria projeta crescimento econômico positivo em 2026. O principal motor deve ser a demanda interna, sustentada por um mercado de trabalho ainda aquecido. Enquanto isso, o setor de serviços segue em expansão e contribui para amortecer a desaceleração mais intensa observada na indústria.
Diante disso, o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte, Roberto Serquiz, ressaltou a importância da leitura técnica da CNI para orientar as projeções do setor produtivo. Segundo ele, mesmo em um ano eleitoral marcado por polarização, o cenário não aponta risco de retração.
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Decreto amplia exigências de rastreabilidade na logística reversa
O Decreto Federal nº 12.688/2025 reforça um sistema de logística reversa de embalagens já existente e introduz ajustes em metas, rastreabilidade e comprovação de resultados. Muitas empresas não precisam criar estruturas inéditas. Em vez disso, revisam práticas adotadas nos últimos anos para adequá-las aos parâmetros mais detalhados da nova norma.
A regulamentação estabelece obrigações relacionadas ao índice de recuperação e ao índice de conteúdo reciclado. Assim, fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes passam a responder por metas vinculadas às embalagens de plástico e aos produtos comercializados nesse tipo de acondicionamento em todo o território nacional.
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O texto define o índice de recuperação como a relação entre a massa de embalagens plásticas coletadas e destinadas de forma ambientalmente adequada e a massa colocada no mercado ao longo do ano.
Em seguida, o decreto apresenta o índice de conteúdo reciclado, calculado a partir da proporção de matéria-prima reciclada incorporada no produto plástico ou na embalagem em comparação com a massa total disponibilizada no mercado.
Logo depois, a norma determina metas quantitativas mínimas para cada indicador. O Anexo I reúne percentuais regionais e nacionais de recuperação calculados sobre a massa de embalagens colocadas no mercado no ano fiscal anterior.
Já o Anexo II estabelece metas nacionais de conteúdo reciclado que fabricantes e importadores devem cumprir de forma cumulativa.
Metas passam a valer a partir de 2026
As metas de conteúdo reciclado tornaram-se obrigatórias em janeiro de 2026 para empresas de grande porte. Posteriormente, pequenas e médias companhias passam a cumprir a exigência a partir de julho do mesmo ano. Por isso, muitas organizações já revisam estratégias de planejamento e de reporte de dados.
O decreto regulamenta dispositivos da Lei Federal nº 12.305/2010, conhecida como Política Nacional de Resíduos Sólidos. Com essa medida, o governo detalha a implementação do sistema de logística reversa de embalagens de plástico e amplia a responsabilização de agentes que participam da cadeia produtiva.
A norma abrange fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes. Também inclui embalagens primárias, secundárias e terciárias, bem como produtos plásticos equiparáveis, como pratos, copos e talheres descartáveis.
Depois disso, o decreto define dois formatos de operação. No modelo individual, a própria empresa estrutura e executa o sistema de logística reversa. Já no modelo coletivo, uma entidade gestora habilitada pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima centraliza a implementação, reúne dados e comprova o cumprimento das metas.
A regulamentação também estabelece conceitos que delimitam responsabilidades. O texto descreve quem pode ser considerado fabricante de produtos comercializados em embalagens plásticas e quem responde como fabricante de embalagens plásticas.
Cadeia produtiva assume deveres na logística reversa
Fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes precisam estruturar e operar o sistema de logística reversa de embalagens plásticas. Também devem manter a sustentabilidade econômico-financeira das ações e disponibilizar às autoridades informações completas sobre as atividades realizadas.
Em seguida, o decreto estabelece que o cumprimento das obrigações depende da massa de embalagens colocadas no mercado por cada agente econômico. As empresas devem comprovar resultados por meio de notas fiscais eletrônicas e do Manifesto de Transporte de Resíduos.
A regulamentação inclui deveres comuns entre fabricantes de produtos e fabricantes de embalagens. Entre eles aparecem a criação de planos de comunicação e educação ambiental não formal, o cumprimento das metas de conteúdo reciclado e a priorização da contratação de cooperativas.
Outro ponto envolve a organização do fluxo logístico para transporte, reutilização ou reciclagem das embalagens recolhidas. A norma também prevê obrigações específicas para cada agente da cadeia, incluindo importadores, distribuidores, comerciantes e consumidores.
Sendo assim, o decreto define regras gerais sobre metas, prazos e formas de comprovação. A regulamentação estabelece percentuais mínimos de recuperação e conteúdo reciclado. De modo que, determina mecanismos de rastreabilidade e admite instrumentos como metas geográficas, embalagens retornáveis e compensação entre exercícios.
Com essa estrutura, o Decreto Federal nº 12.688/2025 consolida os deveres de logística reversa previstos na Política Nacional de Resíduos Sólidos e reforça a responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos.
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Queda da indústria de transformação reacende alerta sobre desindustrialização no Brasil
A queda de 0,2% do PIB da indústria de transformação no ano passado reforça o processo de desindustrialização do país, alerta a CNI (Confederação Nacional da Indústria). O setor atravessa a quinta retração nos últimos sete anos e pode perder ainda mais espaço na economia em 2026 caso o cenário permaneça sem mudanças.
Depois de crescer 3,9% em 2024, o segmento não sustentou o ritmo no ano seguinte. Em 2025, juros elevados pressionaram as empresas e reduziram o fôlego da atividade produtiva.
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Somado a isso, a presença crescente de produtos estrangeiros ampliou a disputa no mercado nacional. Fabricantes locais passaram a enfrentar concorrência mais intensa, fato que dificultou a recuperação do setor.
Nesse ambiente econômico, empresas lidaram com crédito mais caro e margens mais apertadas. Muitas companhias adiaram decisões estratégicas, sobretudo diante da instabilidade no ambiente de negócios.
Em paralelo, analistas apontam que a trajetória recente reforça preocupações antigas sobre o papel da indústria de transformação na economia brasileira. A continuidade desse movimento pode reduzir ainda mais o peso do setor na estrutura produtiva do país.
PIB industrial cresce menos que no ano anterior
A política monetária contracionista afetou diversos segmentos da economia e se refletiu em toda a cadeia produtiva. A construção, por exemplo, cresceu apenas 0,5%, ritmo inferior ao observado em anos recentes.
Diante desse quadro, o Produto Interno Bruto industrial avançou 1,4%, menos da metade do crescimento registrado em 2024. O resultado geral contou com forte contribuição da indústria extrativa.
Isso ocorreu porque a produção de petróleo e gás impulsionou o segmento extrativo, que registrou alta de 8,6%. Esse desempenho evitou uma desaceleração ainda maior do conjunto da atividade industrial.
Outro indicador chama atenção: a taxa de investimento encerrou 2025 em 16,8% do PIB. O índice permanece abaixo dos cerca de 20% observados entre 2010 e 2013 e também distante do nível necessário para sustentar ritmos mais elevados de crescimento econômico.
Em seguida, a Confederação Nacional da Indústria destacou a necessidade de maior sobriedade no debate sobre a redução da jornada de trabalho. A entidade avalia que a imposição de novos custos neste momento agravaria a situação financeira das empresas.
Sendo assim, vale lembrar que a indústria emprega, proporcionalmente, mais mão de obra qualificada que a média do setor privado. Também ocupa posição central nas cadeias produtivas e enfrenta forte concorrência internacional, fator que amplia o impacto de aumentos de custos sobre produção e emprego.
Por causa dessas condições, setores industriais enfrentam limitações para compensação de horas, o que pode elevar despesas operacionais. Com isso, as incertezas nesse debate afetam decisões de investimento que poderiam impulsionar a produtividade, ponto que especialistas consideram essencial antes de qualquer mudança na jornada de trabalho.
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Mulheres na indústria: Participação feminina cresce no setor plástico e vence desafios
O Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, reforça o debate sobre a presença feminina em setores ligados à ciência, tecnologia e engenharia. Em diversos segmentos, o número de mulheres ainda permanece menor quando comparado ao de homens. Mesmo assim, indicadores recentes mostram mudanças progressivas.
Nesse contexto, a participação feminina no setor de plásticos também reflete essa transformação gradual. O crescimento ocorreu ao longo das últimas décadas e acompanha discussões sobre equidade e inclusão no ambiente corporativo.
Segundo o estudo “Mulheres no Mercado de Trabalho”, da CNI (Confederação Nacional da Indústria), as mulheres ocuparam 39,1% dos cargos de gestão em 2023. O levantamento revela avanço relevante no acesso feminino a posições de liderança.
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O estudo aponta que o número de mulheres empregadas em atividades industriais cresceu três vezes mais que o registrado em outras categorias ao longo dos últimos treze anos. Como resultado, a presença feminina chegou a 32,5% nesse período.
Assim, empresas passaram a discutir novas estratégias para ampliar a participação feminina em diferentes áreas técnicas. Ao mesmo tempo, especialistas observam que mudanças estruturais e culturais seguem como fatores decisivos para ampliar esse avanço nos próximos anos.
Empresas brasileiras passaram a adotar diferentes medidas para reduzir a desigualdade de gênero no ambiente corporativo. Essas iniciativas surgem como resposta às discussões sobre inclusão e representatividade no mercado de trabalho.
Entre as ações mais adotadas pelas organizações, destaca-se a política de paridade salarial, presente em 77% das empresas consultadas. Em seguida aparece a proibição da discriminação de gênero, aplicada por 70% das companhias.
Além disso, programas de qualificação voltados às mulheres aparecem em 56% das empresas. Essas iniciativas buscam ampliar o acesso feminino a funções técnicas e administrativas.
Enquanto isso, algumas organizações investem em medidas direcionadas à liderança. Cerca de 42% das empresas implementam ações voltadas ao estímulo da presença feminina em cargos de chefia.
Do mesmo modo, 38% das companhias ampliaram a licença-maternidade para seis meses. A medida busca oferecer melhores condições para que profissionais conciliem carreira e vida familiar. Assim, o conjunto dessas iniciativas demonstra uma mudança gradual nas práticas corporativas e amplia o debate sobre igualdade de oportunidades no trabalho.
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Pesquisa global revela avanço da sustentabilidade nas estratégias corporativas
A sustentabilidade passou a ocupar espaço central nas decisões corporativas, aponta a Primeira Pesquisa Global sobre Sustentabilidade da BDO. Segundo a pesquisa, empresas de diferentes regiões incorporam o tema às estratégias de crescimento e gestão. O levantamento ouviu 418 organizações distribuídas em 36 países.
Nesse sentido, o estudo indica que 83% das empresas consideram a sustentabilidade um fator que fortalece sua posição competitiva. Entretanto, apenas 25% afirmam possuir um programa totalmente estruturado, ou seja, ainda há um distanciamento entre intenção estratégica e prática empresarial.
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Dessa forma, muitas companhias já reconhecem o valor do tema, embora ainda enfrentem desafios para consolidar processos e metas internas. Ao mesmo tempo, o debate corporativo amplia o alcance da agenda ambiental, social e de governança, que passa a influenciar decisões administrativas, planejamento e análise de riscos.
Consequentemente, a sustentabilidade deixa de ocupar um espaço periférico nas organizações. Ela começa a integrar decisões estratégicas, orientar políticas internas e influenciar a forma como empresas projetam crescimento e posicionamento no mercado.
América Latina amplia presença da sustentabilidade nas empresas
Na América Latina, empresas avançam na integração da sustentabilidade às estratégias corporativas. Ainda assim, o cenário regional convive com incertezas regulatórias e oscilações econômicas que influenciam o ritmo das mudanças.
Enquanto esse processo ocorre, o levantamento mostra que 68% das organizações da região já publicaram relatórios de sustentabilidade. Esse movimento amplia a transparência das informações corporativas e reforça o acompanhamento de riscos e metas socioambientais.
Além disso, cerca de 40% das empresas classificam seus programas como maduros. O dado indica que parte das organizações já estruturou diretrizes e indicadores voltados ao tema. Ainda que muitas outras permaneçam em fase de adaptação.
Com isso, 37% das companhias latino-americanas já incorporam a sustentabilidade às estratégias de longo prazo. Já 32% afirmam que a inclusão de indicadores ESG amplia a leitura de riscos e contribui para decisões mais informadas.
Assim, a agenda sustentável passa a dialogar diretamente com planejamento empresarial, governança corporativa e avaliação de cenários econômicos.
Empresas reforçam recursos para atender novas demandas do mercado
Dessa maneira, a tendência aponta para expansão dos investimentos em sustentabilidade nos próximos anos. De acordo com o levantamento, 95% das empresas da América Latina pretendem manter ou ampliar os recursos destinados ao tema.
Por outro lado, a maioria projeta estabilidade nos investimentos, 26% das organizações planejam ampliar o orçamento. Pois conseguirão responder às exigências de mercado, clientes e reguladores.
Além disso, empresas que utilizam indicadores claros e modelos mensuráveis conseguem estruturar melhor suas estratégias corporativas. Essas métricas orientam decisões administrativas, ampliam o controle de riscos regulatórios e fortalecem o relacionamento com investidores.
As organizações que estruturam processos de acompanhamento e divulgação de resultados atraem talentos e ampliam o interesse do mercado financeiro. Dessa maneira, a agenda sustentável passa a influenciar diretamente a forma como empresas organizam suas operações e planejam o futuro corporativo.
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Mulheres no plástico: as inovações e contribuições ao setor
Professora cria polímeros sintéticos que se assemelha a proteínas
Na Califórnia, a professora Ting Xu, da Universidade da Califórnia em Berkeley, descobriu, após sete anos de pesquisa, como projetar plásticos ou polímeros sintéticos com comportamentos semelhantes aos de proteínas.
Recentemente ela e uma equipe de pesquisadores desmistificaram concepções antigas sobre polímeros e desvendaram as "regras de design". Com isso, a professora ressalta a importância da descoberta para abrir caminho para plásticos e outros materiais ecológicos.
Entre os pesquisadores, está também o professor do MIT Alfredo Alexander-Katz. Juntos, eles chegaram a conclusão que embora uma enzima sintética não possa se dobrar como uma proteína natural e sua estrutura molecular subjacente esteja ligeiramente diferente, ela ainda consegue imitar o comportamento de uma enzima natural.
Nesse sentido, Xu, que leciona ciência e engenharia de materiais e de química, o segredo está na capacidade do polímero de se dobrar, torcer e alterar facilmente a forma de sua "espinha dorsal" de carbono.
Essa flexibilidade compensou quaisquer diferenças estruturais entre as versões criadas em laboratório e as naturais. Ao mesmo tempo que permitiu que a enzima sintética superasse as capacidades funcionais de uma enzima natural.
O impacto desta descoberta influencia a indústria do plástico. Isso porque ajuda na resolução de problemas de compatibilidade entre necessidade de plásticos e seu impacto ambiental. Diante disso, a professora explica: "Se projetarmos o polímero corretamente, poderemos desenvolver plásticos que atendam tanto às nossas necessidades atuais de durabilidade quanto às metas ambientais futuras.”
Além desta descoberta, Ting Xu, também é responsável pela criação de plásticos compostáveis que se decompõem mais facilmente, apenas com calor e água, em poucas semanas.
Engenheira cria empresa que transforma plástico usados em pavimentos
A engenheira Nzambi Matee, desenvolveu uma tecnologia urbana que transforma plásticos descartados em pavimentos certificados. Assim, tornando-os mais resistentes que o concreto e produzidos em escala industrial.
Cientista de materiais e empreendedora social, ela também está à frente da empresa Gjenge Makers, criada por ela na capital queniana. Atualmente, Matee produz cerca de 1.500 placas de pavimentação por dia a partir de uma mistura de plástico reciclado e areia. O resultado é ao mesmo tempo uma solução ecológica simbólica, e um produto técnico, testado e aprovado para uso real em ruas, escolas e residências.
Apesar disso, a trajetória da engenheira começa bem antes disso. Formada em ciência dos materiais, Nzambi Matee trabalhou na indústria petrolífera do Quênia como engenheira e analista de dados. Em 2017, decidiu dedicar-se a buscar e criar novos destinos aos resíduos plásticos de Nairobi.
O primeiro laboratório surgiu no quintal da casa de sua mãe. Entre máquinas improvisadas, barulho constante e reclamações de vizinhos, Matee iniciou um processo intenso de experimentação. O trabalho avançou com base em método científico rigoroso, sustentado por medições constantes, ajustes sucessivos e repetição.
A iniciativa ganhou novo impulso após a engenheira conquistar uma bolsa ligada ao empreendedorismo social nos Estados Unidos. Durante essa etapa, ela submeteu amostras do pavimento a testes laboratoriais avançados, refinando a formulação da mistura e elevando o nível técnico do produto.
Hoje, os pavimentos produzidos pela empresa possuem certificação nacional, o que autoriza sua aplicação em obras regulamentadas. Os relatórios técnicos indicam ponto de fusão superior a 350 °C e resistência maior que a de soluções em concreto, fatores que ampliam sua adoção em projetos urbanos. A inovação de Matee visa recolocar o material no mercado de modo acessível, durável e padronizado.
Mãe e CEO cria sacolas plásticas que se dissolvem na água
Sharon Barak, diretora de tecnologia da startup Solutum, criou um plástico que se dissolve completamente na água. A solução assume a forma de um saco plástico convencional; ainda assim, elimina o resíduo após o uso ao entrar em contato com a água.
Nesse percurso, a proposta ganhou projeção ao vencer a terceira edição da competição anual de startups da Coller School of Management, vinculada à Universidade de Tel Aviv. Em 2017, Barak fundou a Solutum com o objetivo de colocar no mercado produtos biodegradáveis e ecologicamente corretos, alinhando ciência e aplicação prática.
Diante disso, o material não exige processos complexos nem o uso de produtos químicos para se decompor. Após utilizar o produto feito com Solutum, o consumidor simplesmente o “joga no ralo”, como explicou a própria criadora, encerrando o ciclo de uso sem gerar resíduos sólidos.
Enquanto a demanda cresce, a empresa amplia a produção em sua fábrica localizada no sul de Tel Aviv. No local, cerca de 20 funcionários atuam diretamente na fabricação, reunindo pessoas de diferentes religiões e idades, que variam de 20 a mais de 70 anos. Toda a produção parte de matéria-prima 100% ecológica.
Além disso, a equipe utiliza o mesmo tipo de maquinário empregado na fabricação tradicional de plásticos. Essa escolha permite, segundo a empresa, “reduzir custos e atender às exigências dos fabricantes”, facilitando a adoção do material por diferentes mercados.
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Uma pesquisa da Maxiquim, realizada com exclusividade para a ABIEF (Associação Brasileira da Indústria de Embalagens Plásticas Flexíveis), mostrou que a indústria brasileira de embalagens plásticas flexíveis encerrou 2025 com faturamento bruto de R$ 40,1 bilhões. O resultado representa alta de 6,2% em relação a 2024.
O avanço financeiro contrasta com a retração nos volumes. A produção somou 2,321 milhões de toneladas, queda de 0,5% frente ao ano anterior. O consumo aparente seguiu a mesma direção e recuou 0,9%.
Diante disso, o presidente da ABIEF, Eduardo Berkovitz, avalia: “Precisamos contextualizar estes números num cenário macroeconômico marcado por crescimento moderado e juros altos.”
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Nesse sentido, ele relembra que em 2025, o PIB brasileiro cresceu entre 2,3% e 2,4%, ficando abaixo dos 3,4% registrados em 2024: “Também fechamos o ano com uma inflação de 4,26% e um avanço da taxa básica de juros de 15%, em dezembro, impactando em crédito, investimentos e consumo.”
O setor também operou com uma estrutura instalada de 3,297 milhões de toneladas por ano. Em 2025, a taxa média de uso dessa estrutura ficou em 70,4%, indicador que expôs cautela, margens pressionadas e ociosidade produtiva.
Sob essa ótica, o desempenho do segmento refletiu um ambiente econômico marcado por ajustes. A receita avançou, enquanto a quantidade produzida perdeu fôlego. Como resultado, o setor atravessou o ano equilibrando preços, volumes e estratégias comerciais diante de um cenário mais restritivo para o consumo.
Setor agropecuário lidera demanda por embalagens flexíveis
O desempenho do setor de embalagens plásticas flexíveis refletiu a dinâmica desigual dos segmentos consumidores. Vale ressaltar que a produção industrial geral cresceu apenas 0,9% em 2025, com comportamentos distintos entre os principais demandantes.
Nesse cenário, a agropecuária registrou alta de 10,3% e se destacou como principal motor do consumo de embalagens. A demanda do segmento por embalagens plásticas flexíveis avançou 9,7% e totalizou 316 mil toneladas. O ramo agroindustrial, que inclui filmes agrícolas, geomembranas e fertilizantes, ampliou a produção em 10,1%.
Em contrapartida, setores relevantes apresentaram retração. A indústria de alimentos, responsável por 40% das embalagens produzidas, recuou 3%. Higiene pessoal caiu 11,4%, enquanto limpeza doméstica encolheu 5,7%.
Diante disso, o consumo per capita de embalagens plásticas flexíveis caiu cerca de 2% e fechou 2025 em 10,8 kg por habitante ao ano, contra 11 kg em 2024. Consequentemente, os dados indicaram que bens essenciais mantiveram maior resistência, enquanto outras categorias sentiram de forma mais intensa a pressão da queda na renda.
Saldo comercial cresce em volume, mas segue negativo em dólares
O crescimento do faturamento em 2025 refletiu preços mais elevados e câmbio ainda valorizado ao longo do período. No acumulado desde 2010, o setor registrou crescimento médio anual de 7,2% em reais e de -0,7% em dólares. “Vimos uma expansão nominal em Reais, comprimida quando analisada em uma moeda mais forte como o Dólar”, pondera Eduardo Berkovitz.
Atualmente, o Brasil conta com 3.888 empresas convertedoras de embalagens plásticas flexíveis, que somam 116.283 empregos formais. O estado de São Paulo lidera com 1.638 empresas. A estrutura permanece concentrada em micro e pequenas companhias, com 36% delas tendo até quatro funcionários. O Sudeste reúne 54,5% das empresas, seguido pelo Sul, com 27,5%.
Em relação às matérias-primas, PEBD e PEBDL responderam por 73% da produção em 2025. PP representou 15%, enquanto PEAD alcançou 12%. O uso de material reciclado permaneceu estável em 5%, equivalente a 106 mil toneladas.
Já no comércio exterior, o setor registrou saldo positivo de 12,8 mil toneladas, alta de 284,9% sobre 2024. Ainda assim, em dólares, o saldo permaneceu negativo pelo segundo ano seguido, influenciado pela sobreoferta global de resinas.
Projeta-se um crescimento moderado em 2026
Para 2026, a pesquisa da Maxiquim aponta crescimento econômico moderado, inflação relativamente controlada. Logo, com uma possível redução gradual dos juros e leve recuperação do consumo essencial.
De acordo com a ABIEF, o desempenho de 2025 revela que a indústria de embalagens plásticas flexíveis: “esteve financeiramente resiliente, operando com ociosidade, dependente do agro como motor de crescimento, pressionada por juros altos e comércio internacional e distante de uma transição significativa para reciclados”.
Sendo assim, o levantamento da Maxiquim projeta para 2026 um ambiente de crescimento econômico limitado, inflação menos pressionada. Bem como uma perspectiva de corte gradual nos juros e reação moderada do consumo essencial.
Para finalizar, o presidente da Associação, comenta: “Tudo nos faz crer que este ano será marcado por uma leve recuperação, mas que os riscos fiscais permanecerão. Também seguiremos acompanhando as discussões regulatórias sobre aumento de alíquotas de importação de filmes plásticos, pleiteadas junto ao governo, e que podem alterar a dinâmica competitiva de nosso setor e melhorar o saldo comercial.”
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Energia, comércio e reciclagem: Brasil e Noruega avançam em agenda climática
Com quase US$ 14 bilhões em investimentos acumulados até 2024, a Noruega ocupa hoje a 12ª posição entre os maiores investidores estrangeiros no Brasil. Além disso, cerca de 300 empresas norueguesas mantêm operações ativas no país, segundo o relatório Norway in Brazil: Investment and Trade Report 2025.
Nesse cenário, os aportes diretos cresceram 900% ao longo da última década, movimento que reflete uma mudança no perfil da presença empresarial norueguesa. Desde 2023, aproximadamente US$ 1,8 bilhão seguiram para projetos ligados a fontes renováveis, como solar, eólica, bioenergia, hidrogênio e, mais recentemente, baterias.
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A partir dessa expansão, a relação bilateral entrou em uma fase de maior aproximação política e empresarial. Contudo, o diálogo atual vai além do comércio tradicional, pois a agenda climática passou a ocupar posição central na cooperação entre os dois países.
Assim, temas como transição energética e economia circular orientam decisões de investimento e estratégias corporativas. Esse reposicionamento indica uma parceria focada em temas estruturais de longo prazo, com impactos diretos sobre cadeias globais e políticas ambientais.
Brasil se firma como base para estratégias de descarbonização
A transição energética passou a orientar os novos aportes noruegueses no Brasil. Empresas do país europeu utilizam o território brasileiro como plataforma para reduzir emissões em cadeias globais, aproveitando a matriz elétrica mais limpa e o custo competitivo das fontes renováveis.
Nesse sentido, a estratégia atende às metas corporativas internacionais. “Eles usam o Brasil para atingir as metas globais. Porque aqui é mais barato, mais viável, tem mais oferta de energia renovável.”
Um dos exemplos citados é a planta da Yara, em Cubatão (SP). A unidade investe na produção de amônia e fertilizantes verdes a partir de biogás e biometano. “Com esses investimentos reduziram bastante as emissões, 70% de redução nas emissões.”
Enquanto isso, o setor marítimo e offshore, historicamente ligado à presença norueguesa, também ganhou novos contornos. Em 2024, Brasil e Noruega assinaram um memorando para criar corredores marítimos descarbonizados entre o Brasil e a Europa, com foco inicial em portos da Holanda.
O acordo prevê estudos sobre combustíveis sustentáveis e soluções voltadas ao uso racional de energia, ampliando a cooperação técnica entre os dois países.
Comércio bilateral cresce com foco ambiental e acordo em debate
O comércio entre Brasil e Noruega acompanha essa nova dinâmica. Atualmente, o Brasil ocupa a posição de principal parceiro norueguês na América Latina. Em 2024, as exportações da Noruega para o Brasil somaram US$ 2,1 bilhões, enquanto as importações chegaram a US$ 2,4 bilhões.
Entre os produtos brasileiros exportados estão insumos para alumínio, soja e café. Da Noruega, chegam tecnologia, manufaturas e pescados. “O bacalhau ainda está bem alto na lista”, disse Tangen.
Diante desse cenário, a expectativa se concentra na ratificação do acordo de livre comércio entre a EFTA — formada por Noruega, Suíça, Islândia e Liechtenstein — e o Mercosul.
O tratado prevê a liberalização de 97% das exportações e inclui capítulos voltados à sustentabilidade, abrangendo bens, serviços e investimentos. Para a cônsul, o acordo pode ampliar fluxos comerciais em áreas ligadas à tecnologia limpa e a cadeias produtivas mais alinhadas a critérios ambientais.
Economia circular surge como novo eixo da parceria
Se o Brasil já aparece como plataforma de descarbonização na energia, a economia circular desponta como próximo campo de expansão. A multinacional norueguesa TOMRA, especializada em coleta automatizada e triagem de recicláveis, avalia que avanços regulatórios no Brasil podem destravar investimentos em infraestrutura de reciclagem.
Desse modo, o decreto estabelece metas crescentes de coleta, que partem de 30% em 2025 e chegam a 50% em 2040. Bem como de obrigações de conteúdo reciclado pós-consumo, que começam em 22% e avançam até 40% no mesmo período.
Modelo norueguês de reciclagem vira referência internacional
A Noruega consolidou um dos sistemas de reciclagem mais bem estruturados do mundo ao apostar na separação de resíduos nas residências. A maioria dos lares utiliza recipientes específicos para papel, plástico, vidro e resíduos orgânicos, seguindo orientações claras das autoridades locais.
Vale ressaltar que este modelo reduz a contaminação dos materiais recicláveis e fortalece o reaproveitamento. Assim, espera-se colocar pontos de coleta e estações espalhadas por áreas urbanas e rurais recebem desde embalagens comuns até eletrônicos, móveis e resíduos perigosos, ampliando a participação da população.
Outro pilar é o sistema de depósito para garrafas e latas, no qual o consumidor paga um valor adicional e o recebe de volta ao devolver a embalagem. O mecanismo elevou as taxas de retorno e estimulou o descarte adequado.
O sistema, operado pela Infinitum, conta com cerca de 3.900 máquinas automáticas e milhares de pontos manuais. Em 2023, o país registrou taxa de retorno de 92,3%, com mais de 1,54 bilhão de embalagens devolvidas.
Como resultado, menos de 1% das embalagens de bebidas têm descarte inadequado, consolidando o modelo como referência global em recuperação de materiais e redução de resíduos.
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Indústrias químicas do Sul catarinense projetam fôlego com redução de PIS e Cofins
A aprovação do Projeto de Lei Complementar (PLP) 14/2026 pela Câmara dos Deputados pode representar um alívio relevante para as indústrias químicas do Sul de Santa Catarina. O novo texto cria um período de transição até a entrada em vigor da reforma tributária prevista para 2027.
O projeto surge como um respiro sobretudo em Criciúma e municípios vizinhos, onde o segmento ocupa posição estratégica na cadeia produtiva regional.
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Afinal, a proposta reduz temporariamente as alíquotas de PIS e Cofins para empresas enquadradas no Reiq (Regime Especial da Indústria Química). Desse modo, a medida valerá entre março e dezembro de 2026, funcionando como uma ponte até a implementação do novo modelo tributário.
Na prática, as alíquotas cairão para 0,62% de PIS e 2,83% de Cofins. Segundo estimativas do próprio projeto, o impacto nacional tende a alcançar R$3,1 bilhões. Assim, deixarão de ser recolhidos pelo governo e permanecerão no setor produtivo.
Para o presidente do Sindicato das Indústrias Químicas do Sul Catarinense, Valdinei de Souza, o texto tem a possibilidade de influenciar diretamente a sustentabilidade das empresas locais.
Nesse sentido, ele explica: “Não sabemos ainda ao certo se a PL 14/2026 irá beneficiar diretamente toda a cadeia da indústria química, mas nos parece que sim. E, se confirmada essa abrangência, representará um marco decisivo para a sustentabilidade das nossas operações aqui no Sul de Santa Catarina.”
Ele ressalta, ainda, que o valor que permanecerá nas empresas tende a preservar investimentos e empregos. Analisando: “Esse projeto traz um pouco de fôlego necessário para atravessarmos o período de transição tributária que se aproxima”
Déficit comercial pressiona setor e reforça importância da medida
O setor químico brasileiro enfrenta um déficit elevado na balança comercial, cenário que revela maior volume de importações do que de exportações. Logo, qualquer redução de custos vai diminuir a desvantagem frente aos concorrentes internacionais.
As empresas do Sul catarinense acompanham esse movimento com atenção. Enquanto isso, dirigentes avaliam que o alívio temporário pode criar condições mais favoráveis para enfrentar a concorrência externa.
Valdinei destaca que o período de vigência da medida pode representar um fôlego estratégico para atravessar um momento de forte pressão sobre preços e margens. Ainda assim, ele reforça que o horizonte mais decisivo já se aproxima.
Diante disso, afirma: “O ano de 2027 é o nosso marco real. As indústrias do Sinquisul já estão buscando se adaptar.”
Segundo o dirigente, as associadas recalibram sistemas internos para gerir corretamente os novos créditos de IVA, planejam a transição entre o modelo antigo e o novo sistema tributário e monitoram a regulamentação do Imposto Seletivo. Consequentemente, o setor entra em 2026 com foco duplo: aproveitar a redução temporária e se preparar para a nova CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços).
Próximos passos e expectativa regional
O projeto ainda seguirá para análise no Senado. Caso os parlamentares confirmem o texto. A redução das alíquotas passará a valer em março de 2026 e será encerrada automaticamente ao atingir o limite fiscal estabelecido.
Assim, as indústrias químicas de Criciúma e região observam o calendário legislativo com expectativa. Ao mesmo tempo, dirigentes acompanham a regulamentação da reforma tributária, considerada uma das maiores mudanças no sistema de tributos das últimas décadas.
A eventual confirmação do benefício criará um intervalo de adaptação antes da entrada definitiva da CBS em 2027. Dessa maneira, o setor poderá reorganizar fluxos financeiros e ajustar processos internos dentro de um ambiente de transição controlada.
Para o polo químico do Sul catarinense, o período entre março e dezembro de 2026 pode funcionar como etapa decisiva de preparação. Portanto, empresários defendem que a medida representa mais do que um alívio pontual: ela sinaliza um espaço estratégico para atravessar a mudança estrutural no sistema tributário brasileiro.
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Confiança da indústria recua e completa 14 meses em baixa
O ICEI (Índice de Confiança do Empresário Industrial) caiu 0,3 ponto em fevereiro e passou de 48,5 para 48,2 pontos, conforme levantamento divulgado pela CNI (Confederação Nacional da Indústria). Assim, os empresários completaram 14 meses abaixo da linha de 50 pontos, que separa confiança de falta de confiança.
Em janeiro, o indicador havia subido 0,5 ponto e se aproximado do nível de equilíbrio. Contudo, fevereiro trouxe o primeiro resultado negativo do ano.
Leia mais:
A queda da confiança industrial ocorreu após o Banco Central do Brasil manter a taxa básica de juros, a Selic, em 15%. Com isso, o país ocupa a segunda posição no ranking global de maiores juros reais.
Segundo Larissa Nocko, especialista em Políticas e Indústria da CNI, “O patamar elevado das taxas de juros afeta a atividade industrial de algumas formas. Uma delas é por meio do encarecimento do crédito, tanto para empresários quanto para os consumidores. Isso desacelera a atividade econômica. Outra é por meio da formação de expectativas. Diante de uma política monetária mais apertada, os empresários tendem a projetar o enfraquecimento da economia lá na frente, impactando a projeção de demanda deles”.
Empresários veem cenário mais difícil que há seis meses
Os dois componentes do ICEI recuaram em fevereiro. Nesse contexto, o Índice de Condições Atuais caiu 0,2 ponto e atingiu 43,8 pontos. Dessa maneira, empresários avaliam que a economia e os próprios negócios enfrentam situação pior do que a observada há seis meses.
O resultado reflete sobretudo uma visão mais negativa sobre o momento das empresas, enquanto a leitura sobre a economia apresentou leve melhora.
Já o Índice de Expectativas passou de 50,7 para 50,4 pontos. Ainda assim, o indicador permanece acima da linha de 50 pontos e indica perspectivas positivas para os próximos seis meses. Mesmo assim, os industriais reduziram o otimismo em relação ao futuro das próprias empresas, embora tenham elevado as projeções para a economia.
Para esta edição a CNI ouviu 1.103 empresas — 454 pequenas, 400 médias e 249 grandes — entre 2 e 6 de fevereiro de 2026.
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