Reciclagem de plástico avança no setor mecânico, agrícola e calçados
Reciclagem de PVC transforma resíduos em matéria-prima para lubrificantes
Pesquisadores e empresas do setor químico estudam novas rotas para reciclar PVC e transformar seus resíduos em óleos sintéticos usados na formulação de lubrificantes mecânicos.
Este processo combina desclorinação térmica e catalisadores específicos para romper as estruturas complexas do polímero. Assim, durante essa etapa, o tratamento retira e neutraliza o cloro, enquanto preserva o esqueleto de carbono do material.
Na sequência, os hidrocarbonetos resultantes passam por reações que reorganizam suas moléculas. Esse procedimento produz fluidos com viscosidade controlada e propriedades adequadas para a lubrificação de componentes submetidos a atrito em máquinas industriais pesadas.
A rota também amplia as possibilidades de aproveitamento de resíduos plásticos que apresentam maior complexidade para a reciclagem. Com isso, o material pode retornar a uma cadeia produtiva diferente daquela que originou o resíduo.
Embora a aplicação em larga escala ainda dependa de investimentos em infraestrutura, os resultados preliminares apontam uma alternativa para o reaproveitamento do PVC.
Setor agrícola impulsiona reciclagem de plásticos
Uma embalagem utilizada em uma propriedade rural pode percorrer diferentes etapas antes de voltar ao sistema produtivo. Após a devolução, o recipiente segue pela logística reversa, passa por processamento e pode se transformar em resina reciclada destinada à fabricação de novas embalagens.
Esse fluxo acompanha o crescimento da procura por materiais reciclados no agronegócio. De acordo com o estudo encomendado pela Abiplast (Associação Brasileira da Indústria do Plástico), a demanda do setor por plásticos reciclados cresceu mais de 35% em um ano.
No mercado brasileiro, a produção de resina plástica reciclada pós-consumo, conhecida como PCR, também avançou. O volume cresceu quase 8% e ultrapassou 1 milhão de toneladas.
Dentro da cadeia de defensivos agrícolas, a logística reversa conecta diferentes etapas. A embalagem sai da propriedade rural, retorna por meio dos canais de devolução e segue para o processamento industrial.
Sendo assim, o movimento mostra como a estrutura disponível para coleta, processamento e transformação influencia o reaproveitamento dos resíduos. Desse maneira, quando a indústria consegue converter o material usado em uma nova matéria-prima, o plástico reciclado volta ao ciclo produtivo.
A expansão desse mercado também aproxima a comercialização, a devolução das embalagens e sua transformação em novos materiais.
Enzimas ampliam possibilidades para reciclagem de poliuretano e náilon
Um grupo de cientistas identificou enzimas capazes de decompor poliuretano (PUR) e náilon (poliamida), dois tipos plásticos amplamente presentes em produtos como colchões, calçados, isolamentos térmicos, roupas e autopeças.
Pesquisadores da Universidade de Aarhus e do Instituto Tecnológico Dinamarquês procuraram novas enzimas em ambientes com condições favoráveis à atividade microbiana. Desse modo, a equipe analisou amostras provenientes de aterros sanitários no Quênia, de um zoológico tropical na Dinamarca, de compostagens enriquecidas com poliuretano e do trato digestivo de larvas da traça-da-cera alimentadas com espuma plástica.
Para encontrar os microrganismos de interesse, os pesquisadores analisaram milhões de bactérias por meio da triagem de células ativada por fluorescência (FACS). Nesse sentido, a técnica utiliza moléculas sintéticas que reproduzem determinadas ligações químicas dos plásticos e emitem fluorescência diante da ação de enzimas capazes de degradá-las.
A triagem identificou 29 bactérias decompositoras de plástico e 12 enzimas ativas contra poliuretano e náilon.
Os cientistas também testaram as enzimas em materiais plásticos reais. A CCPUR1, originada da bactéria Chelatococcus composti, suportou temperaturas de fusão de até 68,3 °C.
Nos testes laboratoriais, CCPUR1 e CCPUR2 degradaram tecidos comerciais de náilon-6 e náilon-6,6. Além disso, as enzimas atuaram sobre poliuretanos insolúveis e espumas flexíveis utilizadas em colchões, como a FlexFoam.
Em três dias de incubação, a CCPUR1 converteu 0,92% da espuma de colchão analisada. O resultado amplia os dados disponíveis sobre enzimas capazes de atuar diretamente sobre materiais plásticos reais.
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