Pequenas indústrias enfrentam pior nível de confiança em quase seis anos
Índices da CNI mostram queda no desempenho e na confiança das pequenas indústrias, com avanço das preocupações ligadas a custos, crédito e matérias-primas
Pequenas indústrias enfrentam pior nível de confiança em quase seis anos
O desempenho das pequenas indústrias brasileiras voltou a cair no início de 2026 e alcançou o menor patamar desde o período mais crítico da pandemia de Covid-19. Dados divulgados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostram que o índice do setor recuou para 43,7 pontos no primeiro trimestre do ano, resultado inferior ao registrado no fim de 2025.
A pesquisa Panorama da Pequena Indústria (PPI) considera fatores como volume de produção, utilização da estrutura operacional e evolução do número de empregados. Dessa forma, o levantamento identifica o ritmo de atividade das empresas de pequeno porte nos segmentos de transformação e construção.
O recuo de um ponto em relação ao trimestre anterior reforçou o ambiente de desaceleração entre os empresários. Em junho de 2020, auge dos impactos provocados pela pandemia, o indicador havia marcado 34,1 pontos.
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Enquanto isso, o cenário financeiro das empresas apresentou deterioração ainda mais intensa. O índice relacionado à situação financeira caiu 2,5 pontos e atingiu 39 pontos, menor marca dos últimos cinco anos. O estudo leva em consideração o acesso ao crédito, a percepção dos industriais sobre a situação financeira dos negócios e a avaliação das margens operacionais.
Diante disso, Julia Dias, analista de Políticas e Indústria da CNI, afirma: “Os juros altos tornam o acesso ao crédito ainda mais difícil para as pequenas indústrias, que são vistas pelo mercado como empresas de maior risco e, portanto, sofrem com taxas maiores. Além disso, houve um aumento no preço dos insumos e matérias-primas no 1º trimestre do ano por causa da guerra no Oriente Médio e isso pressionou a margem de lucro dessas indústrias.”
A leitura da CNI indica que o setor atravessa um período de forte pressão econômica, marcado por redução do ritmo produtivo e dificuldades financeiras persistentes.
Custos e matérias-primas ampliam pressão sobre empresas
A elevada carga tributária permaneceu como principal preocupação das pequenas indústrias no primeiro trimestre de 2026. Ainda assim, o percentual de empresários que apontaram esse problema diminuiu em comparação com os últimos meses de 2025 tanto no setor de transformação quanto na construção.
Mesmo com essa redução, outras pressões ganharam força rapidamente. Entre as pequenas indústrias de transformação, a falta ou o alto custo das matérias-primas saltou da sexta para a segunda posição entre os maiores entraves do setor. O percentual de empresários que citaram o problema passou de 20% para 34,1%.
Ao mesmo tempo, a dificuldade relacionada à contratação de trabalhadores qualificados permaneceu entre os principais desafios enfrentados pelas empresas, embora tenha registrado leve queda nas respostas do levantamento.
No segmento da construção, as taxas de juros seguiram como uma das maiores preocupações dos empresários. O percentual ligado a esse problema subiu de 30,9% para 37,1%, consolidando o tema como segundo maior entrave do setor.
Sob outra perspectiva, a preocupação com a escassez e o encarecimento das matérias-primas avançou fortemente entre as pequenas empresas da construção. O índice saltou de 4,1% para 18,1%, movimento que levou o tema da décima terceira para a quinta colocação no ranking de dificuldades mais citadas.
Os números mostram que o aumento dos custos operacionais continua espalhado por diferentes áreas da atividade produtiva.
Confiança segue baixa e empresários mantêm cautela
Os indicadores de confiança das pequenas indústrias continuaram em queda ao longo de 2026. Em abril, o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) das empresas de pequeno porte atingiu 44,6 pontos, menor nível desde junho de 2020.
Como resultado, o levantamento apontou um ambiente de pessimismo contínuo entre os empresários. Segundo a CNI, o índice permanece abaixo da linha de confiança há 17 meses consecutivos, sinalizando percepção negativa disseminada entre os negócios de menor porte.
Ainda que o setor enfrente dificuldades financeiras e retração produtiva, os empresários mantêm expectativas moderadas para os próximos meses. O índice de perspectivas registrou 47,4 pontos no primeiro trimestre de 2026.
Esse indicador considera fatores como intenção de investimento, expectativa para demanda futura e projeções relacionadas ao número de empregados. Desse jeito, a pesquisa revela que parte das empresas ainda espera alguma reação da atividade econômica no segundo semestre, embora o ambiente atual permaneça marcado pela cautela.
A combinação entre baixa confiança, crédito restrito e custos elevados reforça o desafio enfrentado pelas pequenas indústrias para recuperar o ritmo de atividade ao longo do ano.
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