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Embalagens flexíveis fecham 2025 com faturamento recorde

Pesquisa revela avanço da receita, retração no volume produzido e protagonismo do agronegócio na demanda por embalagens flexíveis

Uma pesquisa da Maxiquim, realizada com exclusividade para a ABIEF (Associação Brasileira da Indústria de Embalagens Plásticas Flexíveis), mostrou que a indústria brasileira de embalagens plásticas flexíveis encerrou 2025 com faturamento bruto de R$ 40,1 bilhões. O resultado representa alta de 6,2% em relação a 2024.

Embalagens flexíveis fecham 2025 com faturamento recorde

O avanço financeiro contrasta com a retração nos volumes. A produção somou 2,321 milhões de toneladas, queda de 0,5% frente ao ano anterior. O consumo aparente seguiu a mesma direção e recuou 0,9%.

Diante disso, o presidente da ABIEF, Eduardo Berkovitz, avalia: “Precisamos contextualizar estes números num cenário macroeconômico marcado por crescimento moderado e juros altos.”

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    Nesse sentido, ele relembra que em 2025, o PIB brasileiro cresceu entre 2,3% e 2,4%, ficando abaixo dos 3,4% registrados em 2024: “Também fechamos o ano com uma inflação de 4,26% e um avanço da taxa básica de juros de 15%, em dezembro, impactando em crédito, investimentos e consumo.”

    O setor também operou com uma estrutura instalada de 3,297 milhões de toneladas por ano. Em 2025, a taxa média de uso dessa estrutura ficou em 70,4%, indicador que expôs cautela, margens pressionadas e ociosidade produtiva.

    Sob essa ótica, o desempenho do segmento refletiu um ambiente econômico marcado por ajustes. A receita avançou, enquanto a quantidade produzida perdeu fôlego. Como resultado, o setor atravessou o ano equilibrando preços, volumes e estratégias comerciais diante de um cenário mais restritivo para o consumo.

    Setor agropecuário lidera demanda por embalagens flexíveis

    O desempenho do setor de embalagens plásticas flexíveis refletiu a dinâmica desigual dos segmentos consumidores. Vale ressaltar que a produção industrial geral cresceu apenas 0,9% em 2025, com comportamentos distintos entre os principais demandantes.

    Nesse cenário, a agropecuária registrou alta de 10,3% e se destacou como principal motor do consumo de embalagens. A demanda do segmento por embalagens plásticas flexíveis avançou 9,7% e totalizou 316 mil toneladas. O ramo agroindustrial, que inclui filmes agrícolas, geomembranas e fertilizantes, ampliou a produção em 10,1%.

    Em contrapartida, setores relevantes apresentaram retração. A indústria de alimentos, responsável por 40% das embalagens produzidas, recuou 3%. Higiene pessoal caiu 11,4%, enquanto limpeza doméstica encolheu 5,7%.

    Diante disso, o consumo per capita de embalagens plásticas flexíveis caiu cerca de 2% e fechou 2025 em 10,8 kg por habitante ao ano, contra 11 kg em 2024. Consequentemente, os dados indicaram que bens essenciais mantiveram maior resistência, enquanto outras categorias sentiram de forma mais intensa a pressão da queda na renda.

    Saldo comercial cresce em volume, mas segue negativo em dólares

    O crescimento do faturamento em 2025 refletiu preços mais elevados e câmbio ainda valorizado ao longo do período. No acumulado desde 2010, o setor registrou crescimento médio anual de 7,2% em reais e de -0,7% em dólares. “Vimos uma expansão nominal em Reais, comprimida quando analisada em uma moeda mais forte como o Dólar”, pondera Eduardo Berkovitz.

    Atualmente, o Brasil conta com 3.888 empresas convertedoras de embalagens plásticas flexíveis, que somam 116.283 empregos formais. O estado de São Paulo lidera com 1.638 empresas. A estrutura permanece concentrada em micro e pequenas companhias, com 36% delas tendo até quatro funcionários. O Sudeste reúne 54,5% das empresas, seguido pelo Sul, com 27,5%.

    Em relação às matérias-primas, PEBD e PEBDL responderam por 73% da produção em 2025. PP representou 15%, enquanto PEAD alcançou 12%. O uso de material reciclado permaneceu estável em 5%, equivalente a 106 mil toneladas.

    Já no comércio exterior, o setor registrou saldo positivo de 12,8 mil toneladas, alta de 284,9% sobre 2024. Ainda assim, em dólares, o saldo permaneceu negativo pelo segundo ano seguido, influenciado pela sobreoferta global de resinas.

    Projeta-se um crescimento moderado em 2026 

    Para 2026, a pesquisa da Maxiquim aponta crescimento econômico moderado, inflação relativamente controlada. Logo, com uma possível redução gradual dos juros e leve recuperação do consumo essencial.

    De acordo com a ABIEF, o desempenho de 2025 revela que a indústria de embalagens plásticas flexíveis: “esteve financeiramente resiliente, operando com ociosidade, dependente do agro como motor de crescimento, pressionada por juros altos e comércio internacional e distante de uma transição significativa para reciclados”.

    Sendo assim, o levantamento da Maxiquim projeta para 2026 um ambiente de crescimento econômico limitado, inflação menos pressionada. Bem como uma perspectiva de corte gradual nos juros e reação moderada do consumo essencial.

    Para finalizar, o presidente da Associação, comenta: “Tudo nos faz crer que este ano será marcado por uma leve recuperação, mas que os riscos fiscais permanecerão. Também seguiremos acompanhando as discussões regulatórias sobre aumento de alíquotas de importação de filmes plásticos, pleiteadas junto ao governo, e que podem alterar a dinâmica competitiva de nosso setor e melhorar o saldo comercial.”

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