Pesquisa da CNI revela dificuldade generalizada de acesso ao crédito industrial
De acordo com a pesquisa realizada pela CNI (Confederação Nacional da Indústria) em parceria com a ABDE (Associação Brasileira de Desenvolvimento), oito em cada dez empresas enfrentam obstáculos para obter crédito indicam os juros elevados como principal dificuldade. Os dados advém da Sondagem Especial nº 98 – Condições de Acesso ao Crédito em 2025.
Nesse sentido, 80% dos empresários também afirmam que a dificuldade de obter crédito de curto ou médio prazo apontam os juros altos como o maior entrave para o financiamento. As exigências de garantias reais vêm logo em seguida, com 32% de assinalações. Já a falta de linhas de crédito adequadas às necessidades das compras registra 17%.
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Perante estes resultados, Maria Virgínia Colusso, analista de Políticas e Indústria da CNI, analisa: “A atual política monetária é bastante restritiva e encarece o crédito, uma vez que a taxa Selic está em 15% ao ano e os juros reais em torno de 10%. O crédito mais caro desincentiva o investimento em expansão da capacidade produtiva e em inovação. Com isso, a indústria perde competitividade.”
Nesta edição, a CNI contou com a participação de 1.789 empresas industriais, sendo 713 pequenas, 637 médias e 439 grandes. O questionário aconteceu entre os dias 1º e 12 de agosto de 2025.
Crédito de longo prazo concentra maior desistência e insucesso
Com isso, 54% das empresas não buscaram contratar ou renovar crédito de longo prazo nos seis meses anteriores à realização da pesquisa, ou seja, de fevereiro a julho de 2025. Enquanto isso, 49% não buscaram crédito de curto ou médio prazo no mesmo período. De modo que somente 26% contrataram ou renovaram crédito de curto prazo, percentual que chega a 17% em relação ao crédito de longo prazo.
Levando em conta somente as empresas que buscaram contratar ou renovar crédito seis meses antes da pesquisa, quase um terço das que tentaram contratar ou renovar crédito de longo prazo não tiveram sucesso. Comparado a quase um quinto das empresas que buscaram crédito de curto ou médio prazo não tiveram êxito.
As médias indústrias lideraram a frustração na obtenção de crédito de longo prazo, com 43%. Na sequência, aparecem as pequenas empresas, com 37%, e as grandes, com 27%. No crédito de curto e médio prazo, 26% das médias empresas enfrentaram dificuldades, contra 21% das pequenas e 16% das grandes.
Condições de crédito pioram para parte relevante da indústria
Entre fevereiro e julho de 2025, 35% das empresas industriais que renovaram crédito de curto ou médio prazo relataram uma piora nas condições de acesso, incluindo juros, parcelamento, carência e exigência de garantias. Já no crédito de longo prazo, 33% das indústrias que passaram por renovação também perceberam condições piores ou muito piores.
Em contrapartida, quase metade das empresas que renovaram crédito de curto ou médio prazo (47%) não perceberam alterações nas condições oferecidas nos seis meses anteriores à pesquisa. Da mesma forma, entre as empresas que renovaram crédito de longo prazo, 47% também avaliaram que as condições permaneceram estáveis.
Por outro lado, 14% dos entrevistados obtiveram a renovação do crédito de curto ou médio prazo em condições melhores ou muito melhores do que nos seis meses anteriores à pesquisa. No entanto, quanto ao crédito de longo prazo, esse percentual recuou para 12%.
Risco sacado ainda tem baixa adesão entre as indústrias
Até o momento, 13% das indústrias já recorreram a operações de risco sacado no ano anterior à pesquisa. Além disso, 5% das empresas informaram que pretendem contratar esse instrumento nos 12 meses posteriores.
Sob essa perspectiva, 54% das indústrias declararam não ter recorrido nem ter intenção de recorrer a operações de risco sacado. Assim, 29% dos empresários não apresentaram resposta ou afirmaram não saber, evidenciando a limitada disseminação dessa modalidade no setor industrial.
O risco sacado funciona como uma modalidade de antecipação de recebíveis que envolve fornecedor, comprador (sacado) e instituição financeira. Nesse modelo, o fornecedor antecipa o pagamento junto ao banco, enquanto o comprador assume o compromisso de quitar o valor na data de vencimento originalmente acordada. O fornecedor recebe os recursos de forma imediata, e a obrigação financeira permanece com o comprador.
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