Debate
trouxe cases, propostas e conversa sobre a reciclagem e a importância dela
dentro do cenário
Os professores Débora
Garofalo e Alexander Turra palestraram para convidados durante o Recycling Talk
Show, que aconteceu no KidZania, em São Paulo, na última terça-feira, 24. O
evento foi promovido pelo Movimento Plástico Transforma, o PICPlast, fruto da
parceria da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (ABIPLAST), e da
Braskem.
Com mediação da jornalista
Veruska Boechat, a iniciativa teve como objetivo discutir como a educação e a
tecnologia são peças fundamentais para estimular a sociedade rumo a um estilo
de vida mais consciente e mais sustentável.
A professora Débora
Garofalo, finalista do Top 10 no Global Teacher Prize 2019, considerado o Nobel
da educação, contou como um projeto de reciclagem e robótica, em uma escola
pública de São Paulo, transformou a realidade daquelas crianças e de toda a
comunidade. O lixo que se espalhava pelas ruas foi reaproveitado em projetos de
robótica, como carrinhos feitos de garrafas PET e bexigas, que se transformaram
em um sucesso entre os alunos.
Placas de PVC também foram
usadas em um complexo projeto de robótica. "Os pais dos alunos me disseram
que não entendiam muito bem o que era reciclagem, mas entenderam a importância
por causa das informações que os filhos traziam. Nesse contexto o plástico foi
o motor para que o trabalho fosse realizado", disse ela. Realizado no
bairro Cidade Leonor, mais de uma tonelada de lixo reciclável e eletrônico
saíram das ruas e viraram materiais para praticar robótica ou tiveram um novo e
adequado destino, o que incluía a venda dos produtos para a manutenção do
projeto.
Mais do que um projeto
escolar, a professora entendeu que a coleta do lixo, a destinação, e toda a
dinâmica daquela comunidade, era importante para todos. “A gente descobriu que
o lixo era fonte de renda para muitas famílias, então entendemos que a solução ia
muito além de apenas recolhe-lo. Era necessário adaptar às suas realidades”,
finalizou Debora.
Lixo nos Mares
O também professor, biólogo
e pesquisador, Alexander Turra, avalia que o foco da discussão acerca da
poluição dos mares está sendo diluído e fugindo de questões que são mais
importantes. "Distribuir renda e educação são fundamentais para combater o
lixo no mar, que é bem mais complexo do que é abordado”, contou.
Turra, que acaba de voltar
de uma conferência internacional onde foi debatida a agenda "Década para a
Sobrevivência dos Oceanos 2021-2030", acredita que devem se buscar novas
soluções para as causas da poluição nos mares, como as redes de pesca que se
perdem e são abandonadas. "Por que não se instalam rastreadores nas redes
para que elas sejam recuperadas?” O pesquisador acrescentou que as crianças são
peça-chave para melhorar a questão da reciclagem e que elas devem ser colocadas
"como parte da solução". Ele destacou que os pequenos cidadãos têm em
geral uma percepção mais rápida do que muitos adultos sobre questões
ambientais.
Quanto à cadeia produtiva do
plástico, Turra explica que todos os empresários têm a responsabilidade de
conscientizar, movimentar e engajar a população nesse novo cenário. “São 12 mil
empresas do setor, de pequeno e grande porte, e que cada uma tem uma dinâmica
que pode envolver o mercado. Nosso foco é entender e engajar essas empresas a
também aderirem programas de sustentabilidade”, comenta o professor.
Para Alexander, as pessoas
devem, em primeiro lugar, "entender o lixo", para desenvolver
atividades que contribuam para combater os danos causados pelos resíduos
sólidos. E, em segundo lugar, devem pensar que combater o lixo envolve decisões
políticas, não de governo. “São questões que devem ser cobradas do setor
público, como expandir o saneamento e o esgoto para um número maior de
pessoas”, acrescenta Turra.
Estação Plástico Transforma
O encontro também promoveu
uma visita guiada à Estação Plástico Transforma, atividade instalada no parque
que reproduz as etapas do processo da reciclagem de plásticos de forma
interativa e educativa.
Lá, as crianças recolhem o
material plástico em pontos do parque, levam para a estação e acompanham todo o
processo de reciclagem daquele material, da separação à criação de um novo
produto.